As inscrições para o evento já estão esgotadas, mas Pedro Sobral, presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), entidade que promove a segunda edição do Books 2.0, que se realiza amanhã e sexta-feira, no Museu do Oriente, em Lisboa, está bem consciente de que nem tudo vai bem no setor do livro. Isto porque, como nos diz, os resultados do primeiro estudo feito aos hábitos de leitura dos portugueses desde 2007 “não são animadores e não nos deixam estar descansados.”.A apresentação deste estudo, programada para abertura do evento, bem como de um outro, que se debruça sobre os índices de compra de livros em Portugal ao longo do último ano, é uma das principais novidades da segunda edição. “São dois estudos diferentes porque estamos a falar de duas situações que não se podem confundir”, explica ainda Pedro Sobral. “Muitas vezes, as pessoas compram os livros para oferecer e nem sequer leem duas linhas. Acontece muito com os livros para crianças, sobre os quais nem sequer sabemos se quem os recebe acaba por os ler ou não.” .Os resultados, antecipa ao DN, não são empolgantes, até porque, como frisa, “os níveis de cidadania dependem invariavelmente dos níveis de literacia”. E continua: “Verifica-se uma vez mais que estamos muito atrás dos nossos parceiros europeus. No entanto, há alguns sinais encorajadores, como um aumento de hábitos de leitura na geração que tem entre 15 e 25 anos, com alguns desses jovens a regressarem ao gosto pelos livros depois de o terem perdido no princípio da adolescência”. .Com o tema genérico The Future of Reading, o Book 2.0 pretende colocar no centro do debate os principais desafios que o livro e a leitura enfrentam na atualidade, apontando caminhos para os ultrapassar, através das vozes de grandes nomes da Literatura, criadores e pensadores nacionais e internacionais, que se ocupam da produção cultural e do modo como os cidadãos se relacionam com ela. .Tal como aconteceu na primeira edição, o Book 2.0 volta a estar organizado por capítulos, como se de um livro se tratasse. Na sessão de abertura, Pedro Sobral apresentará, como já vimos, os estudos sobre índices de compra de livros em Portugal e hábitos de leitura dos cidadãos. Nesta sessão inaugural também intervirão a escritora vietnamita Nguyen Phan Que Mai, autora do best-seller Quando as Montanhas Cantam, para abordar “O Poder dos Livros”, e a colombiana Vanessa Portilla, presidente da World Literacy Foundation, que irá falar do tema “Mudar Vidas através da Literacia”..Seguir-se-á o debate em torno do tema “O Futuro da Edição na Era Digital”, que tratará questões relacionadas com os desafios que o desenvolvimento da inteligência artificial nos coloca a todos, mas ao setor do livro em particular. Pedro Sobral espera que esta seja uma das sessões mais participadas do evento: “Não podemos considerar apenas o lado ameaçador da inteligência artificial. Devidamente regulamentada, esta pode ser uma boa oportunidade para os autores e editoras desde que estes sejam salvaguardados.” E dá o exemplo anterior do e-book: “Há um bom par de anos, este formato parecia representar uma ameaça ao papel. No entanto, a regulamentação da União Europeia permitiu que fosse assimilado pelo setor.”.Em foco, no primeiro dia de trabalho, estará ainda outra questão fraturante, com o painel “Da Pegada Ecológica ao Repensar a Diversidade”. Rachel Martin, diretora de sustentabilidade global na Elsevier, vai apresentar as primeiras recomendações do Carbon Footprint Whitepaper, que resulta de um estudo de medição da pegada carbónica da indústria editorial em Portugal. A ideia de realizar este estudo pioneiro surgiu precisamente na edição de 2023 do Book 2.0 , numa conversa com António Redondo, presidente da Comissão Executiva da Navigator, em que foi abordada a importância de adotar boas práticas nesta área. O dia terminará com uma intervenção de um grande leitor conhecido de todos os portugueses, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa..Na sexta-feira, os trabalhos começam com o “capítulo” 3, “Educação como um Portal para o Potencial Humano”, em que os oradores abordarão a forma como podemos e devemos preparar as gerações futuras para responder às questões da atualidade e o papel que o livro pode desempenhar no assunto. .Ao longo dos dois dias de trabalho passarão pelo Museu do Oriente vários nomes do mundo do livro em Portugal, de autores a editores, passando por decisores políticos. Entre eles, Isabel Stilwell, Eduardo Sá, Hugo van Der Ding, Rui Couceiro, para além da ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, e o secretário de Estado da Educação, Alexandre Homem Cristo. A sessão será encerrada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Para quem não se inscreveu a tempo, a APEL garante que todas as sessões serão gravadas e colocadas nas plataformas Spotify e YouTube.