O músico alemão FM Einheit e o curador Mathieu Copeland.
O músico alemão FM Einheit e o curador Mathieu Copeland. Foto: Leonardo Negrão

Arte que não convoca os olhos mas os ouvidos. Ou como fazer desenhos com a mente

'A Exposição de um Sonho' pode ser experienciada até 22 de fevereiro de 2027. É a primeira mostra do programa de Sérgio Mah como diretor do Centro de Arte Moderna.
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É um “segundo ato” de um projeto concebido originalmente pelo curador inglês Mathieu Copeland em 2017. A Exposição de um Sonho é uma escultura sonora apresentada pela primeira vez em Paris, na delegação francesa da Gulbenkian, após gravações feitas nos jardins da instituição em Lisboa, que incluíram o coro da Gulbenkian. “Pareceu-me que fazia todo o sentido o projeto ser apresentado no sítio onde ele teve origem”, diz Sérgio Mah sobre a sua primeira decisão em termos de programação enquanto diretor do Centro de Arte Moderna.

É uma exposição onde não há muito para ver, mas muito para ouvir e experienciar. “Foi aqui na Gulbenkian que começámos a trabalhar em conjunto com FM Einheit, um compositor e músico alemão fantástico e uma força da natureza”, sublinha Mathieu Copeland. FM Einheit fez parte de uma banda alemã de culto, os Einstürzende Neubauten.

“Esta exposição tem muitos pontos de entrada”, diz o curador. Foram convidados 16 artistas para escrever um sonho, entre eles os portugueses Gabriel Abrantes e Alexandre Estrela. “Um sonho que eles podem ter sonhado, um sonho falso, um sonho erótico, um pesadelo, todo o tipo de sonhos”. E a FM Einheit foi pedido que transformasse os sonhos em músicas. “É uma oportunidade para experienciar uma exposição tal como se ouviria um disco em casa”, diz Copeland. Com uma nuance: cada música é tocada de acordo mandalas, ou padrões, de seis artistas plásticos, entre eles Almada Negreiros. Ou seja, o som distribui-se pelos altifalantes de acordo com o sistema gráfico das mandalas.

“O que se experiencia quando se vem à exposição são 16 sonhos, 16 músicas, mas também 16 formas em constante movimento”, sublinha o curador. A experiência dura três horas se acompanhada do princípio ao fim.

54 altifalantes pelos quais sai a música no Espaço Engawa do CAM.
54 altifalantes pelos quais sai a música no Espaço Engawa do CAM. Foto: Leonardo Negrão

FM Einheit explica que foi um processo que envolveu várias fases e que culminou com “54 altifalantes e um percurso à volta das diferentes mandalas”. “A peça está em constante movimento. Se puder, deve ficar durante um tempo, deitar-se no chão [o espaço tem alcatifa] ou seguir o som à medida que marcha pela sala”.

A exposição ocupa todo o espaço. “Trata-se de uma primeira decisão, para mim importante, de que o Espaço Engawa passe a ser uma sala de exposições com o mesmo estatuto dos outros espaços no edifício do CAM”, diz Sérgio Mah

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