Vasco de Mello, Presidente do Grupo José de Mello
Vasco de Mello, Presidente do Grupo José de Mello Reinaldo Rodrigues

Vasco de Mello: "Mais do que discriminarmos as grandes empresas, deveríamos ver o contributo que dão à economia"

O presidente do grupo José Mello diz que o país é um "Portugal dos pequeninos" na dimensão das empresas, mas alerta que são as organizações com escala que criam "um ciclo virtuoso de crescimento".
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"Deveríamos ter como desígnio nacional o crescimento e, para isso, é preciso ambição para crescer e para ganhar escala. Mais do que discriminarmos as grandes empresas face às pequenas, é importante perceber que as grandes empresas conseguem acelerar as médias empresas e criar um ciclo virtuoso de crescimento e de contributo na economia", defendeu esta quarta-feira, dia 22, o presidente do grupo José Mello.

Vasco de Mello, que falava na conferência M&A - Consolidar para Crescer, promovida pelo DN e pela PwC, disse que Portugal é um país "do pequeninos" no que respeita à dimensão do tecido empresarial, mas que são as grandes que assumem maior peso na contribuição para a economia. "É preciso ter mais em conta o contributo das grandes empresas", reiterou.

Durante a sua intervenção num painel sob o mote "Consolidar para crescer", o empresário destacou que a escala das empresas só representa um fator relevante se estiver associado intrinsecamente à criação de valor.

"A escala é algo importante, mas só é importante na perspetiva em que consegue criar condições para atrair talento, pagar melhores salários e ter um maior nível de capacidades e competências. Permite investir em modificação de processo e inovação e internacionalização. No fim, a escala tem de criar valor, não é um objetivo por si", enumerou.

Para Vasco de Mello "não há números mágicos de faturação" que balizem ambição. "Já conheci empresas pequenas, mas que tinham capacidade de atrair talento", exemplificou.

O presidente do grupo que detém empresas como a Brisa, a Bondalti ou a CUF assumiu que, no capítulo das fusões, o maior desafio visa a criação de uma cultura comum. "O tema da execução tem de ser muito claro e como vamos conseguir que duas empresas resultem em mais do que a sua soma. É preciso ter uma ideia muito clara de como se vão implementar as alterações necessárias à mudança", referiu.

O gestor defendeu ainda a importância de assegurar um governo societário com uma estrutura adequada com "diversidade, conhecimento e capacidade de assegurar uma base sólida". "É um fator que distingue uma operação que tem sucesso ou não", vincou.

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