António Esteves, CEO da Fortitude Capital
António Esteves, CEO da Fortitude Capital Reinaldo Rodrigues

António Esteves: "Portugal é um playground interessante para o private equity"

CEO da Fortitude Capital acredita que Portugal pode ser um hub tecnológico de IA na Europa, mas alerta que os gestores têm de "acordar" e pagar melhor para reter talento no país.
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O CEO e fundador da Fortitude Capital assegura que Portugal tem potencial para se afirmar junto de investidores de private equity e acredita que a pequena dimensão do país joga a favor na hora de atrair capitais.

“Portugal é uma economia muito pequena e, quase por causa disso, é atrativo para fazer investimentos. Não temos aqui os grande fundos de private equity, nem os grandes bancos de investimento com capital e recursos alocados. Por isso mesmo, Portugal é uma espécie de playground que pode oferecer oportunidades muito interessantes para private equity, face a outros mercados europeus”, apontou esta quarta-feira, 22.

O ex-partner do Goldman Sachs, que falava na conferência M&A - Consolidar para Crescer, promovida pelo DN e pela PwC, com apoio do Banco Português de Fomento,  assegurou que “as oportunidades existem, do ponto de vista do investidor”, e que é imperativo que o mercado se habitue ao modelo de private equity, porque “é um catalisador do desenvolvimento dos países”.

No capítulo das oportunidades, a tecnologia é a atividade que oferece um melhor leque de possibilidades para o país se destacar no mapa da Europa.

“Portugal pode ser um grande diferenciador em todo o setor da tecnologia, infraestruturas e IA e pode posicionar Portugal no panorama Europeu. Portugal tem bom clima, água e toda a parte tecnológica dos cabos submarinos, e isso é muito diferenciador. Portugal pode ser um hub tecnológico no mundo da IA na Europa, é uma oportunidade enorme”, afiançou o CEO da sociedade de capital de risco.

António Esteves destacou as telecomunicações e as infraestruturas relacionadas com a tecnologia como sendo pólos de oportunidades de investimento. “A Meta, a Google e a Amazon estão a falar com Portugal e estão a olhar para Portugal com mais apetite e confiança do que para a França”, frisou.

Também o turismo, que tem atingido números recordes nos últimos anos, e que somou um máximo de receitas de 30 mil milhões de euros em 2025, é outra das franjas aliciantes para os investidores. “O setor do turismo teve uma trajetória ascendente muitíssimo forte, o grande ativo de Portugal é a sua localização geográfica e a grande segurança e estabilidade, e esse é um fator diferenciador muito grande”, constatou o gestor.

Contudo, e apesar de todos os fatores positivos que abonam a favor das empresas em Portugal, há desafios estruturais que precisam de ser ultrapassados, desde logo no que respeita aos salários poucos competitivos que impedem a retenção de recursos humanos qualificados.

“O tema do talento é crítico para Portugal. Os jovens são muito mais racionais nas suas escolhas e muito menos apaixonados. Quando falamos de consolidação e de criar empresas de referência ao nível ibérico, as empresas têm de pagar mais. O acionista tem ganhado muito dinheiro e tem havido muitos dividendos no país, mas  tem de acordar para uma nova realidade e tem de pagar mais. Portugal está na cauda da Europa e é muito difícil retermos talento jovem”, alertou ainda.

O gestor garantiu que "o mundo empresarial em Portugal não se desenvolve sem capital extra" e relembrou que o tecido empresarial nacional é "muito atonizado", sendo constituído, na sua esmagadora maioria, por pequenas e médias empresas.

"Há muita falta de ambição e de confiança em Portugal. Temos excelente talento, empreendedores e empresas com negócios de qualidade, mas internacionalmente são desconhecidos. Os private equity falam com estas empresas para as ajudarem a ser uma referência, é uma educação que está em processo", enquadrou.

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