Morreu um histórico da PJ, Ramos Caniço, aos 68 anos

Coordenador superior de investigação criminal, aposentou-se da Polícia Judiciária em 2013, depois de 32 anos de serviço
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António Ramos Caniço faleceu na madrugada deste sábado no hospital, vítima de Covid-19 associado a outras patologias de risco, depois de estar vários dias em coma.

Ramos Caniço, considerado um dos históricos da PJ, aposentou-se desta polícia em 2013, como ​​​​​​​coordenador superior de Investigação Criminal, depois de 32 anos de serviço.

Entrou na Judiciária em 1980, mas já servia a função pública desde 1973 como funcionário das Finanças.

Na PJ passou por quase todos os serviços de investigação, tendo, inclusive, exercido o cargo de diretor nacional adjunto ao tempo do diretor nacional Santos Cabral.

À data da sua reforça era diretor do Departamento Central de Informação Criminal e Polícia Técnica.

A última entrevista que deu foi ao DN, na qual fez um balanço sobre a história da PJ durante o período em que ali exerceu funções.

"Quando cheguei à PJ encontrei uma polícia um bocado individualista baseada nas estrelas. Isto é, tínhamos aqueles investigadores que se distinguiam pela sua intuição, no âmbito de uma investigação criminal própria do século XX e, sobretudo, da primeira metade do século, baseada na rua, na recolha de informação proveniente dos processos. Depois era o 'dedinho' do agente que fazia a diferença de investigação para investigação. Passados 32 anos, já não há as estrelas dos anos 80, mas deixei uma polícia científica, uma polícia técnica, que foi evoluindo e estruturando no sentido de aproveitar as novas tecnologias", afirmou.

No entanto, fez também declarações que causaram alguma controvérsia entre os seus pares, numa altura em que a PJ lutava por mais meios para o combate à criminalidade mais sofisticada e complexa.

"Eu preciso de quadros numa polícia de acordo com o volume de trabalho dessa polícia. Se eu tenho um campo de investigação mais reduzido que há 15 anos eu precisarei do mesmo quadro de pessoal que tinha nessa altura? Por outro lado, coloca-se outra questão: a evolução da criminalidade foi tão grande nestes últimos anos no sentido que justifique eu ter de aumentar os meus quadros. Olhamos para essa evolução e isso não se verificou. A evolução da criminalidade, como a conheço até agora, não justifica que tenhamos de aumentar os quadros da polícia", sublinhou.

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