Mães e pais de estudantes imigrantes em Mangualde estão preocupados com a violência no Agrupamento de Escolas de Mangualde. Na última sexta-feira, um estudante brasileiro de 15 anos foi agredido no banheiro por outros dez alunos, todos mais velhos. A agressão ocorreu alguns dias após várias mães e pais terem tido uma reunião com a direção da escola, em que mostraram preocupação com o bullying contra estudantes de nacionalidade brasileira e o medo de agressões físicas.“Começou no dia 13 de janeiro. Nós fomos para uma reunião na escola com o diretor, eu falo nós porque fui eu e mais dez pais. Porque esses mesmos meninos estavam ameaçando os brasileiros. Falavam assim: ‘a gente não quer vocês aqui, volta para o Brasil’ e tal”, conta ao DN Brasil Cláudia Meneses, mãe do estudante vítima de violência. Ele não está indo à escola, onde estuda há dois anos.Segundo a brasileira, que atua como cuidadora de idosos, o grupo saiu da reunião com garantias de que tudo seria resolvido. “A direção falou que a gente não precisava se preocupar, que os filhos da gente estavam seguros ali na escola, que ele já havia identificado os agressores e que iam resolver tudo isso”, conta ao jornal. O DN Brasil questionou a escola sobre o assunto, mas não obteve resposta.A mãe ficou sabendo do episódio porque o filho a avisou, e não a escola. “Ele que me ligou dizendo que tinha sido agredido; a escola não me ligou. Quando eu cheguei na escola, a GNR já estava lá e estava ouvindo o agressor que começou a briga”, detalha. “Quando a GNR veio falar comigo e com meu filho, eles já vieram com o relato na prancheta, pronto. E tudo aquilo que o meu filho falou, contou a história dele, eles não anotaram nada”, acusa Cláudia. Após a agressão, o estudante passou por atendimento médico.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!No sábado, a brasileira foi até o posto da GNR para prestar queixa, mas disseram que não era possível. O DN Brasil questionou a GNR sobre estes temas e teve a seguinte resposta, na íntegra. "Existe registo de uma ocorrência de ofensas à integridade física, na Escola Secundária Felismina Alcântara, em Mangualde, no dia 30 de janeiro. A patrulha deslocou-se ao local, tendo identificado dez pessoas, nove masculinos e um feminino, com idades compreendidas entres os 15 e os 18 anos, entre as quais se inclui a vítima, de 15 anos. Foram realizadas todas as diligências exigíveis neste tipo de situações, tendo os factos sido comunicados ao Tribunal Judicial de Mangualde".ReuniõesCláudia ainda foi convocada para uma reunião com o autarca (prefeito) de Mangualde no final da tarde de terça-feira, 03 de fevereiro, juntamente com outras mães que possuem filhos na mesma escola. "Disseram estar incomodandos com a situação e que os nossos filhos estão seguros, mas eu não me sinto segura em mandar ele para a escola", ressalta. Em conjunto, as mães ainda vão decidir o que fazer, não estando descartada a realização de um protesto em frente à escola. A brasileira ainda tenciona fazer uma queixa no Ministério Público (MP).Segundo a imigrante, o filho está melhor dos machucados, mas abalado psicologicamente. "Ele viu nas redes sociais que estão acusando ele de ter começado a briga e fica muito mal com isso", ressalta. Na quarta-feira, o adolescente passou por um exame de corpo de delito. "Ele respondeu para o médico que sente pouca dores no corpo, mas que dói o coração, que não sabe explicar, é uma angústia", detalha. A mãe quer mudar o filho de instituição escolar assim que possível. Na tarde de quarta, ela foi convocada para uma reunião na escola nesta quinta-feira, 05 de fevereiro e irá acompanhada de uma advogada. amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Caso de aluno em Cinfães com dedos amputados: Inspeção-Geral da Educação abriu processo.“Preocupa que o preconceito agora seja também contra as crianças”, diz líder da comunidade Sikh