A FIFA emitiu esta sexta-feira, 31 de julho, um comunicado a referir que "ninguém está a vender o futebol", numa altura em que UEFA, CONCACAF e AFC já vieram manifestar oposição aos planos para a venda de ações do Mundial."Respeitamos o feedback e as preocupações manifestadas publicamente e reafirmamos o nosso compromisso com uma consulta aberta e democrática", pode ler-se na nota. "Vamos avançar com este processo de consulta para garantir que cada associação-membro (MA) possa expressar o seu voto com base em factos. Ninguém está a vender o futebol. Isto é algo que a FIFA nunca consideraria", indica o organismo que tutela o futebol mundial..Apresentado na terça-feira, o plano da FIFA prevê a criação de uma empresa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), encarregada de gerir as suas atividades comerciais (transmissão, patrocínio, venda de bilhetes, licenciamento) e eventos (Mundiais de seleções e de clubes, em ambos os sexos).Os investidores privados poderão deter ações, mas manter-se-ão como acionistas minoritários, a rondar os 20%, prometeu a entidade máxima do futebol, que espera arrecadar até 4200 milhões de dólares (cerca de 3662 milhões de euros), com base numa avaliação de 20 mil milhões de dólares (17.437 ME).A FIFA assegurou que continuaria a deter o controlo exclusivo, bem como a "autoridade exclusiva" sobre a governação do futebol, as competições, o calendário ou as decisões regulamentares.Caso o projeto se concretize, cada uma das 211 federações-membro da FIFA poderá ver a sua dotação aumentar de oito milhões de dólares (sete ME) para 20 milhões de dólares (17,4 ME) no período de 2027 a 2030..FIFA quer abrir direitos comerciais a investidores privados e enfrenta dura oposição da UEFA. Face à onda generalizada de críticas do mundo do futebol, na quarta-feira, o presidente da FIFA, o ítalo-suíço Gianni Infantino, afirmou que o modelo de comercialização proposto é apenas uma oportunidade para as federações-membro do organismo, não uma obrigação.A UEFA, que reúne 55 federações europeias, ameaçou, também esta quinta-feira, boicotar os próximos Mundiais, uma decisão tomada "por unanimidade" dos seus membros..Guerra declarada. UEFA decide boicotar provas da FIFA em protesto contra plano de Infantino. A CONCACAF, que representa os três países coorganizadores do Mundial2026 (Estados Unidos, México e Canadá), não fala em boicote, mas incumbiu os seus representantes no Conselho da FIFA de "intimar o presidente da FIFA a garantir que qualquer questão siga os processos de governação adequados através dos serviços e do Conselho da FIFA, em conformidade com os estatutos".O jornal britânico The Times avançou na quarta-feira que o presidente da FIFA deu um prazo de 53 dias às 211 federações-membro, entre as quais a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), para aceitarem o modelo, a troco de alguns milhões de euros.Para operacionalizar o projeto, a FIFA está a trabalhar com o banco J.P. Morgan, surgindo entre os potenciais investidores a Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.