FIFA quer abrir direitos comerciais a investidores privados e enfrenta dura oposição da UEFA
A FIFA anunciou a criação de uma nova empresa comercial, denominada FIFA Forward Enterprise (FFE), através da qual pretende captar até 4,2 mil milhões de dólares junto de investidores privados. A iniciativa, que será submetida à aprovação das 211 federações nacionais, desencadeou uma reação imediata da UEFA, que acusa o organismo presidido por Gianni Infantino de ultrapassar uma "linha vermelha" ao abrir os ativos comerciais do futebol mundial ao capital privado.
A nova sociedade ficará responsável pela exploração comercial das principais competições da FIFA, incluindo os Campeonatos do Mundo masculino e feminino, o Mundial de Clubes e outras provas organizadas pelo organismo. A FIFA pretende manter 80% do capital, alienando apenas uma participação minoritária, sem direitos de controlo, numa operação que avalia a empresa em cerca de 20 mil milhões de dólares. O objetivo passa por criar uma estrutura exclusivamente dedicada ao desenvolvimento dos negócios comerciais, aumentando as receitas provenientes dos direitos televisivos, patrocínios, bilheteira e licenciamento.
Segundo a FIFA, todo o dinheiro obtido será reinvestido no desenvolvimento do futebol. O organismo pretende aumentar significativamente o financiamento atribuído às federações nacionais, elevando o apoio máximo de oito para 24 milhões de dólares por associação ao longo da próxima década. Gianni Infantino defende que a nova estrutura permitirá gerar mais receitas para distribuir pelo futebol mundial, garantindo simultaneamente que a FIFA manterá o controlo absoluto sobre as competições e todas as decisões de governação.
A operação está a ser estruturada com o apoio do JPMorgan, enquanto a Thrive Eternal, fundo de investimento ligado a Joshua Kushner, é apontada como um dos potenciais investidores. A FIFA sublinha, porém, que os futuros acionistas não terão qualquer influência sobre as decisões desportivas, regulamentares ou organizativas, limitando-se à vertente comercial da nova empresa.
A UEFA respondeu de forma contundente. Num comunicado, a confederação europeia considera que a proposta "ultrapassa uma linha que as instituições que governam o futebol nunca deveriam cruzar" e acrescenta que "a alma e a governação do futebol não são ativos para negociar, especialmente sem qualquer transparência sobre quem beneficia financeiramente".
O organismo liderado por Aleksander Čeferin afirma ainda que "nenhum de nós é dono do futebol. Não é da FIFA para vender»", criticando a falta de transparência da operação e alertando para os riscos de uma crescente influência dos interesses financeiros na governação da modalidade.
A proposta será agora analisada pelos órgãos da FIFA e posteriormente submetida às 211 federações filiadas. Caso seja aprovada, representará uma das maiores transformações na estratégia comercial do organismo, reforçando simultaneamente o braço de ferro institucional entre FIFA e UEFA sobre o futuro modelo de governação do futebol mundial.


