Quando apareceu em 2010, a AdegaMãe era pouco mais do que uma extensão da marca Riberalves – um pé num outro segmento, que a família Alves fizera nascer porque acreditava que vinho e bacalhau deviam caminhar mais juntos do que até então. Foi um projeto ambicioso desde o início, com o enólogo Anselmo Mendes a prestar consultoria desde o momento da construção da AdegaMãe, e com Diogo Lopes, então ainda menos conhecido, a tomar conta da enologia. Por detrás dos palcos, continuava João Alves, fundador da Riberalves, que neste projeto em concreto colocou Bernardo Alves, o filho mais novo, na presidência-executiva. E o nome não é, também, ao acaso: é uma homenagem à matriarca da família, Manuela Alves, “um porto seguro onde voltar sempre”, diriam, há uns anos, em entrevista, João, Ricardo e Bernardo, marido e filhos, respetivamente.A AdegaMãe foi comprando vinha, experimentando castas, oferecendo referências mais ou menos surpreendentes ao mercado, tendo poucos topo de gama, mas o cuidado de oferecer consistência em cada vinho produzido, e emendando a mão sempre que as vinhas – ou as castas, ou os vinhos – assim pediam. Numa altura em que a Região de Lisboa não era a favorita dos portugueses e, na verdade, sendo muitas vezes relegada em detrimento de outras, a marca foi tentando construir o seu caminho, ignorando muitas vezes aquilo que se dizia e escrevia sobre o território.Quinze anos depois, é uma marca bem sedimentada no mercado, com referências conhecidas e bem aceites pelos consumidores e que deu, este ano, mais um passo nos seus intentos: a apresentação do AdegaMãe Branco Especial, um vinho sem ano de colheita, que resultou da combinação das melhores barricas das vindimas de 2017, 2019, 2020 e 2021.“É a consolidação de tudo o que aprendemos sobre a arte do blend e sobre a evolução dos nossos brancos atlânticos”, dizia Diogo Lopes durante a apresentação. “Só é possível fazer um vinho destes com colheitas únicas e… com muita paciência. O tempo é o grande protagonista deste projeto”. E continua a explicar. É “um vinho que é feito com as ‘sobras’ de lotes que ficaram dos Terroir produzidos até agora”, explica, referindo-se aos, até agora, vinhos topo de gama da casa. O lote foi feito em 2023, engarrafado e apresentado agora em 2025. Apresenta-se já bastante evoluído no nariz, untuoso e com um final longo e muito elegante.Se, no início, a AdegaMãe se dedicou particularmente aos vinhos, rapidamente percebeu que era nos brancos que se destacava. No final deste ano, para além deste Branco Especial, a AdegaMãe apresentou ainda outras duas referências: a edição de 2018 do AdegaMãe Terroir Branco, produzido a partir das castas Viosinho e Arinto, que estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês, com batonnage, o que lhe dá um perfil envolvente e complexo; e o AdegaMãe Gouveio, que resulta da vinha experimental da casa.Este é um projeto que nasceu em 2015, e um espaço onde a equipa de enologia tem dado azo a várias experiências. Depois do Vital, também nascido daqui, é hora agora de mostrar o Gouveio, uma casta raramente usada sozinha. Um vinho fresco, com boa acidez e equilibrado, que confirma a evolução da AdegaMãe nos brancos.E enquanto a marca se vai afirmando também na gastronomia – inaugurou, entretanto, o restaurante Sal na Adega, onde o bacalhau é o grande protagonista, mas sem deixar de lado outros alimentos regionais – e no enoturismo, os vinhos garantem que há motivo para olhar para estes já não tão novos produtores de uma região que cresce acima das suas congéneres nacionais..Gaveto encheu-se de cenouras e champanhe na apresentação dos novos Krug.O melhor champanhe do mundo?.Quinta dos Loivos: há uma nova marca a nascer no Douro