Vacina da Pfizer e BioNTech com eficácia superior a 90%

Farmacêutica revelou as primeiras conclusões da fase 3 de testes, que ainda decorre, e que envolve mais de 40 mil participantes. Houve 94 casos confirmados de covid-19.

A vacina que está a ser desenvolvida pela norte-americana Pfizer e pela alemã BioNTech mostrou-se mais de 90% eficaz na prevenção das infeções de covid-19 na fase 3 de ensaios clínicos, que ainda está a decorrer, anunciou a empresa farmacêutica.

"A proteção nos doentes foi alcançada sete dias após a segunda de duas doses e 28 dias após a primeira, segundo os dados preliminares", indicaram.

Entre os 43 538 participantes nesta fase de testes (nem todos receberam a vacina, uns receberam um placebo), a Pfizer identificou 94 casos de covid-19 positivos, numa percentagem de eficácia superior a 90%.

"Os primeiros resultados da Fase 3 de testes da vacina da covid-19 mostram a prova inicial da capacidade da nossa vacina de prevenir a covid-19", disse o presidente da Pfizer, Albert Bourla.

"Estamos a chegar a este marco crítico no nosso programa de desenvolvimento de uma vacina numa altura em que o mundo mais precisa, com as taxas de infeção a atingir novos recordes, os hospitais no pico da capacidade e as economias a lutar por reabrir. Com as notícias de hoje, estamos um passo significativo mais perto de fornecer às pessoas em todo o mundo com uma inovação necessária para ajudar a pôr fim a esta crise de saúde global", acrescentou Bourla, citado no comunicado da empresa.

A terceira fase do ensaio clínico da vacina BNT162b2 começou a 27 de julho e envolveu 43 538 participantes até agora, 38 955 dos quais receberam uma segunda dose da vacina até dia 8 de novembro. Cerca de 42% dos participantes a nível global e 30% dos participantes nos EUA vinham de grupos raciais e étnicos diversos. Os testes continuam e devem continuar até serem detetados 164 casos de infeção por covid-19 (já foram detetados 94). A terceira fase é a última antes da homologação.

Pfizer está à espera de ter um conjunto de dois meses de dados sobre a segurança da vacina, depois da segunda dose, uma exigência das autoridades norte-americanas antes de poderem autorizar o uso de emergência. Espera-se que possa ter essa informação na terceira semana de novembro. A Pfizer e a BioNTech esperam produzir, ainda este ano, 50 milhões de doses de vacina e, já em 2021, até 1,3 mil milhões de doses.

A empresa norte-americna Moderna, vários laboratórios estatais chineses e um projeto europeu liderado pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca também estarão próximas de uma vacina viável. Duas vacinas russas já foram registadas, antes de os ensaios clínicos terem acabado, pelo que não têm sido universalmente aceites fora da Rússia.

Trump e Biden já reagiram

O presidente norte-americano, Donald Trump, que ainda não reconheceu a vitória de Joe Biden nas eleições, reagiu no Twitter às notícas da vacina: "A bolsa está a subir, a vacina chega em breve. Dizem ter 90% de eficácia. Que grandes notícias", escreveu.

As bolsas, que têm vindo a subir desde as eleições presidenciais norte-americanas, subiram ainda mais com a notícia do sucesso da vacina da Pfizer e da BioNTech.

Biden, que já está a preparar a transição e já reuniu uma equipa para lutar contra o covid-9, também já reagiu. O presidente-eleito falou da "esperança" que as notícias trazem, mas avisou que a batalha ainda será longa.

"Felicito as mulheres e os homens brilhantes que ajudaram a produzir este avanço e dar-nos uma razão para ter esperança", indicou num comunicado, referindo ter sabido com antecedência, ainda no domingo à noite, do sucesso da vacina.

"Ao mesmo tempo, é também importante perceber que o fim da batalha contra o covid-19 ainda vai demorar meses", acrescentou, defendendo a importância do uso de máscaras.

(Atualizada às 13.45 com reações de Trump e Biden)

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