OMS preocupada com armazenamento da vacina da Pfizer. Distribuição também é um problema

Vacina tem que ser mantida a uma temperatura de -70ºC ao contrário de outras. A da gripe, por exemplo, pode ser guardada num frigorífico comum. Distribuição também requer grandes cuidados.

A notícia de que a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech tem uma eficácia superior a 90% está a ser vista com esperança em todo o mundo, mas até ela chegar é preciso enfrentar os problemas logísticos da sua distribuição. E a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que nenhum país está preparado para armazenar a vacina.

"Não há sistema de saúde nas Caraíbas, na América do Sul, nos EUA ou na Europa que esteja preparado para lidar com estas vacinas", disse Jarbas Barbosa, o subdiretor da Organização Pan-Americana de Saúde, o gabinete regional para as Américas da Organização Mundial de Saúde (OMS), numa conferência de imprensa na quarta-feira.

A vacina desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech, assim como outra das dez vacinas atualmente a ser desenvolvidas, usa "material genético do vírus" e precisa de ser mantida e transportada a uma temperatura de -70ºC. Em comparação, a vacina da gripe, por exemplo, pode ser armazenada num frigorífico comum. Esta vacina da covid-19 pode aguentar apenas até cinco dias a temperaturas entre os 2ºC e os 8.ª

As restantes oito vacinas para a covid-19 que estão em desenvolvimento não necessitam destas temperaturas e os países estão preparados para lidar com elas, se for esse o caso.

Mas nem todos concordam com esta leitura. A Pfizer irá distribuir a vacina em contentores especiais que mantêm a sua temperatura durante duas semanas, segundo uma especialista do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças, Janell Routh, dizendo que para já não está a ser recomendado que hospitais ou clínicas comprem equipamento especial.

Como vai funcionar?

Já existe uma ideia de como será feita a distribuição nos EUA e no mundo. A vacina Pfizer distribuída nos EUA será fabricada na sua principal fábrica, em Kalamazoo, no Michigan. Na Europa, o centro de distribuição está em Puurs, na Bélgica. Toda a operação requer grande coordenação.

Contentores termais serão cheios de gelo seco (dióxido de carbono sólido) e 975 frascos da vacina, sendo que cada um contém cinco doses, num total de 4875, segundo disse a Pfizer à AFP.

Todos os dias, seis camiões vão levar essas doses para transportadoras como a FedEx, UPS ou DHL, que as distribuíram pelos EUA num ou dois dias e, no resto do globo, em três. A empresa espera uma média de 20 voos de carga diários para todo o mundo.

A FedEx teve que obter permissão especial das autoridades de aviação civil para transportar tanto gelo seco, já que este pode ser um perigo para a tripulação se passar pelo processo de sublimação, do estado sólido para o gasoso.

Assim que as caixas chegarem ao destino, podem ser abertas por pouco tempo apenas duas vezes por dia, pelo que só será viável que seja administrada em grandes clínicas ou hospitais, não em farmácias ou pequenos consultórios, já que estes não terão os meios necessários para a manter.

A Pfizer prevê produzir 50 milhões de doses este ano e 1,3 mil milhões em 2021: os EUA já encomendaram cem milhões no total, incluindo 20 a 30 milhões que devem ser entregues até ao final de dezembro. Já a União Europeia encomendou 200 milhões, o Japão 120 milhões, o Reino Unido 30 milhões e o Canadá 20 milhões.

A DHL estima que seja necessário entregar 15 milhões de contentores nos próximos dois anos, sendo precisos 15 mil voos em todo o mundo.

Cada pessoa precisa de receber duas doses da vacina, com três semanas de diferença, para esta funcionar, segundo a Pfizer e a BioNTech.

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