Mário Nogueira confronta Costa: Centeno "às vezes parece ser Deus"

António Costa participava numa cerimónia relativa à abertura do ano escolar quando foi interpelado pelo secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, sobre a questão a contagem do tempo de serviço congelado

O primeiro-ministro, António Costa, teve um inesperado debate em direto com o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, sobre o impasse em torno da contagem do tempo de serviço congelado aos docentes.

Costa visitava um agrupamento escolar, em Paredes de Coura, numa cerimónia relacionada com o iminente arranque do ano letivo, quando foi abordado por um grupo de sindicalistas, entre os quais o líder da Fenprof, Mário Nogueira.

Com o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, a assistir ao momento, Costa e Nogueira trocaram então argumentos durante vários minutos. O primeiro-ministro defendeu que a proposta de restituição de tempo de serviço - cerca de dois anos e nove meses - feita pelo governo é "equitativa", correspondendo aos 70% do tempo de progressão num escalão que terá sido oferecido aos restantes trabalhadores da Administração Pública. Já Nogueira argumentou que o tempo subtraído aos docentes é muito superior aos referidos 70%, lembrando que os sindicatos se ofereceram para flexibilizar a recomposição das carreiras no tempo e até ver parte do tempo de congelamento convertida em créditos para a aposentação.

Mário Nogueira acusou ainda o governo de estar dependente da vontade do Ministro das Finanças, Mário Centeno, o qual, disse, "às vezes parece ser Deus que está nas Finanças".

Mas o primeiro-ministro terminou argumentando que os professores é que têm assumido uma posição "irredutível" nesta matéria, ao não abdicarem de um único dia dos nove anos, quatro meses e dois dias que reivindicam, e desafiou o dirigente sindical a pedir a negociação suplementar das carreiras, depois de uma reunião infrutífera na passada sexta-feira.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.