Operação de repatriamento. "Cansadas, mas muito agradecidas", dizem portuguesas de voo que chegou a Lisboa
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Operação de repatriamento. "Cansadas, mas muito agradecidas", dizem portuguesas de voo que chegou a Lisboa

Aeronave A330 fretada à TAP Air Portugal com 139 portugueses chegou esta manhã a Figo Maduro. Antes tinha chegado um voo militar com 24 cidadãos nacionais.
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Dois voos com mais de 100 portugueses chegaram na manhã desta sexta-feira, 6 de março, a Lisboa, no âmbito da operação de repatriamento de cidadãos nacionais que estavam no Médio Oriente que envolveu um avião C130 da Força Aérea Portuguesa e uma aeronave A330 fretada à TAP Air Portugal.

O avião fretado à TAP com 147 passageiros, dos quais 139 portugueses, aterrou em Lisboa às 10h16, depois de um voo militar com 24 cidadãos nacionais ter chegado durante a madrugada.

"A viagem foi exaustiva. Acho que há 36 horas que estamos em viagem", disse Mariana Carvalho, uma das portuguesa que veio na aeronave A330 fretada à TAP Air Portugal. Referiu que o caminho até chegar a Figo Maduro foi difícil. Até chegarem ao avião que a levaria de regresso a Portugal, recordou que o "transporte terrestre do hotel até Omã foi bastante difícil", tendo tido uma espera no aeroporto de Omã de cerca de 17 horas.

"Estamos muito cansadas, mas muito agradecidas" por estar em solo português, disse, ao lado da irmã gémea Cristiana, admitindo que sentiu receio quando estava no Dubai. "Estávamos sempre agarradas ao telefone, quando havia avião (...) Os voos constantemente a serem constantemente adiados. Tivemos que ficar lá duas semanas, era supostamente uma, sem ter a certeza de nada", relatou aos jornalistas, no Aeródromo Militar de Lisboa.

As duas portuguesas garantiram que tiveram sempre resposta das autoridades portuguesas. "Tudo muito secreto, obviamente, mas foram muito céleres", disseram. "Estamos muito contentes de estar aqui", assumiu uma delas.

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Portuguesa recorda: "Mísseis a virem contra nós"

Uma outra passageira do voo fretado pelo Estado português recordou que o hotel onde estava tinha segurança e um bunker, mas que, ainda assim, viveu "alguns episódios assustadores", como "de ver os mísseis a virem em bolas de fogo contra nós, mas o dia a dia até se passava com alguma facilidade". O maior receio era ver os voos a serem cancelados sem saber quando poderiam regressar a Portugal, explicou.

Os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa anunciaram que estava em curso uma operação de repatriamento de 186 pessoas, quase todos portugueses, com um avião C130 da Força Aérea Portuguesa e uma aeronave A330 fretada à TAP Air Portugal.

O voo fretado transportou 147 passageiros, dos quais 139 eram portugueses e oito estrangeiros (da Alemanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América e Peru).

As "missões e plano de segurança foram solicitados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ao Ministério da Defesa Nacional", refere o comunicado.

Por volta das 05h00 aterrou no Aeroporto de Figo Maduro o avião militar com 39 passageiros, avançou o canal de notícias Now.

O secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, esteve no local para receber os cidadãos repatriados, que viajaram desde Omã, informou o Now. Neste voo militar, estavam a bordo 39 passageiros, dos quais 24 são portugueses e 15 estrangeiros (França, Grécia, Brasil e Israel).

Força Aérea /João Miguel da Silva Brito
Força aérea / João Miguel da Silva Brito

O secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, disse que as autoridades estão a ponderar organizar um novo voo de repatriamento de cidadãos portugueses do Médio Oriente, com partida da Arábia Saudita.

"Estamos a ponderar todas as formas de podermos ajudar. Poderá ser através de um outro voo, que vamos pôr a hipótese de organizar, ou através de um outro voo de um país europeu", explicou Emídio Sousa à comunicação social no Aeroporto de Figo Maduro.

"Hoje, durante toda a manhã, os nossos serviços vão contactar as pessoas, a ver quem quer vir, para vermos a oportunidade ou não de organizar esse voo. E a Força Aérea já está a planear o voo", acrescentou o secretário de Estado.

Mais tarde, o governante referiu que os cidadãos repatriados do Médio Oriente vão ter de pagar pelos voos num valor de 600 euros. "Ninguém deixa de vir nem é obrigado a pagar à partida nem à chegada. O que nós estamos a dizer às pessoas é que depois terão de reembolsar o Estado nessa verba. Mas ninguém deixará de viajar por falta de dinheiro", disse.

O secretário de Estado das Comunidades disse que "o custo real é superior", mas conta ter alguma comparticipação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, que Portugal acionou, para organizar o repatriamento de cidadãos portugueses no Médio Oriente. "Estas viagens têm um custo. Não me parece exagerado. Compreendo as pessoas, mas faz parte dos regulamentos, é a lei e é assim que terá de ser", argumentou, referindo o exemplo dos "holandeses", que "estão a cobrar 650 euros".

Segundo indicaram fontes europeias à Lusa, Portugal pediu para ser organizado um voo de repatriamento, disponibilizando-se a dar lugares nesse voo a outros Estados-membros.

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Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a liderança do país.

O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Além da Turquia, incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

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