Ao sexto dia de guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, o conflito expandiu-se para além dos países do Golfo, com o Azerbaijão a prometer retaliar após um ataque com drones contra um aeroporto no seu território, que Baku afirmou ter vindo do Irão. Este, por sua vez, negou o envolvimento e atribuiu o ataque a Telavive. Israel - além de continuar os ataques contra a capital iraniana, com a República Islâmica a responder com uma onda de mísseis contra território israelita - afirmou ainda ter realizado ataques contra Beirute, visando o Hezbollah. Esta quinta-feira, 5 de março, serviu também para o mundo ficar a saber que a NATO não tenciona acionar a sua cláusula de defesa mútua do artigo 5.º na sequência do abate de um míssil balístico que se dirigia para a Turquia, garantiu à Reuters o secretário-geral Mark Rutte, numa altura em que existem receios de que a Aliança possa envolver-se na guerra entre EUA, Israel e o Irão. “Ninguém está a falar sobre o artigo 5.º”, afirmou o neerlandês, descrevendo o incidente como “grave”. “O mais importante é que os nossos adversários viram ontem [quarta-feira] o quão forte e vigilante é a NATO”.A Turquia, um dos 32 Estados-membro da NATO, indicou que as defesas aéreas da Aliança destruíram na quarta-feira um míssil balístico iraniano que se dirigia para o espaço aéreo turco, chamando a atenção para a possibilidade de o conflito poder vir a envolver toda a Aliança, já que o artigo 5.º refere que um ataque a um dos seus membros é um ataque a todos. No entanto, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irão negou esta quinta-feira ter disparado mísseis contra a Turquia, garantindo que Teerão respeita a soberania da Turquia “amiga”.Mark Rutte garantiu que muitos aliados da NATO apoiam os Estados Unidos e Israel nos seus ataques contra o Irão, pois Teerão estava “perto de se tornar uma ameaça também para a Europa”. De fora deste grupo referido pelo chefe da Aliança estão líderes como o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que classificaram a ação militar israelo-norte-americana como uma perigosa violação do direito internacional.Rutte foi também questionado sobre se tinha a certeza de que os EUA tinham um objetivo final claro em mente para evitar uma instabilidade que poderia representar riscos para a Europa, tendo afirmado que “pelas minhas conversas com altos dirigentes militares e políticos norte-americanos, tenho a absoluta impressão de que eles sabem onde querem chegar.” Alguém que traga harmoniaDonald Trump, depois de ter visto o Senado bloquear medidas para limitar a sua capacidade de prolongar a guerra, garantiu esta quinta-feira que precisa de se envolver pessoalmente na escolha do próximo líder do Irão, tal como fez na Venezuela.Numa entrevista ao site de notícias Axios, o presidente dos Estados Unidos admitiu que Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo assassinado Ali Khamenei, é o sucessor mais provável, como tem sido avançado por vários media internacionais, mas sublinhou que esta é uma escolha que considera inaceitável.“Estão a perder tempo. O filho de Khamenei é um peso-leve. Preciso de estar envolvido na nomeação, como fiz com Delcy [Rodríguez] na Venezuela”, afirmou Donald Trump, sublinhando que não aceita um novo líder que prossiga as políticas de Khamenei, pois estas obrigariam os Estados Unidos a regressar à guerra “dentro de cinco anos”. “O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irão”.Mojtaba Khamenei - um clérigo de 56 anos com fortes ligações à Guarda Revolucionária e sem qualquer experiência em cargos públicos -, tem vindo a surgir como o principal candidato a suceder ao pai, morto nos ataques iniciais israelo-norte-americanos no sábado. Até quinta-feira ao final do dia, Teerão ainda não tinha feito qualquer anúncio formal sobre a sucessão, um processo que sofreu um revés na terça-feira, quando Israel bombardeou o edifício em Qom onde se reúne a Assembleia de Peritos, o órgão responsável pela escolha do próximo líder supremo, numa tentativa de interromper a contagem dos votos.Estas declarações de Donald Trump vão contra o que vem a ser dito pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos e outros membros da administração, negando que estes ataques tenham como objetivo uma mudança de regime, mas sim obliterar as capacidades de mísseis, navais e do programa nuclear do Irão. Guerra de dias ou semanas Erdogan falou esta quinta-feira ao telefone com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, alertando que um conflito prolongado no Irão irá desestabilizar o Médio Oriente, mas também o resto do mundo, segundo a presidência turca. O líder da Turquia disse ainda que Ancara está a trabalhar “intensamente” para impulsionar o retomar das negociações. Macron, usando o X, concentrou-se no Líbano, afirmando que “o Hezbollah deve cessar imediatamente os disparos contra Israel. Israel deve abster-se de qualquer intervenção terrestre”. O presidente francês revelou ainda ter falado com Donald Trump, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e os mais altos líderes do Líbano “a fim de elaborar um plano para pôr fim às operações militares atualmente conduzidas pelo Hezbollah e por Israel em ambos os lados da fronteira.” “Neste momento de grande perigo, apelo ao primeiro-ministro israelita para que não expanda a guerra ao Líbano. Apelo aos líderes iranianos para que não arrastem ainda mais o Líbano para uma guerra que não lhe pertence”, sustentou Macron.Mas a diplomacia parece ser uma ideia para a qual Israel não está recetivo, com o seu embaixador nas Nações Unidas a afirmar ontem que ainda é demasiado cedo para esta via, pois Telavive precisa primeiro de eliminar o programa nuclear iraniano, os seus mísseis balísticos, os seus aliados regionais e as suas ameaças navais. “Penso que a diplomacia entrará em ação, mas ainda não, ainda não”, disse Danny Danon, citado pela AP. “Temos de terminar o trabalho.”Segundo o diplomata, Israel precisa de continuar “a martelar, a desmantelar” as capacidades do Irão antes de passar à diplomacia, sublinhando esperar que esta guerra dure dias ou semanas, e não meses. .Irão: Kallas diz que UE não depende de petróleo do Golfo e não há motivo para pânico .Curdos, a arma (pouco) secreta dos EUA contra o regime do Irão