Videojogos online usados para simular ataques terroristas. PJ identificou 54 ligações a conteúdos extremistas em Portugal
A Polícia Judiciária (PJ) identificou 54 ligações a conteúdos extremistas em plataformas de jogos online e redes sociais, incluindo simulações de ataques terroristas a escolas e a uma mesquita. A sinalização foi realizada pela Unidade Nacional de Contraterrorismo, no âmbito de uma operação internacional coordenada pela Europol.
A ação envolveu diversos Estados-Membros e parceiros de 16 países e permitiu sinalizar mais de nove mil ligações a conteúdos extremistas violentos e terroristas, disseminados por 47 plataformas de redes sociais e de jogos online.
Em Portugal, segundo comunicado enviado às redações, “a Polícia Judiciária identificou 54 URL, carregados na plataforma PERCI e referenciados junto de prestadores de serviços online, tratando-se essencialmente de conteúdos associados ao True Crime Community (TCC) com simulação de ataques terroristas a escolas e a uma mesquita em ambiente de jogo, glorificação de autores de atentados e mapas descarregáveis para o jogo de realidade virtual Bonelab destinados à recriação desses cenários, e relativos a avatares de temática islamista militante em Roblox e a um convite Discord que promove a migração dos utilizadores do TikTok para uma comunidade dedicada”.
A operação abrangeu “conteúdos de inspiração jihadista, de extrema-direita, de extrema-esquerda e anarquista”.
Segundo a PJ, estas comunidades utilizam os videojogos para recriar “as estruturas, narrativas e símbolos de organizações terroristas, bem como ataques terroristas”. As atividades podem envolver a interpretação de papéis de membros desses grupos e a reconstituição de acontecimentos violentos.
A Polícia Judiciária alerta que estas práticas podem evoluir para “esforços coordenados de produção e disseminação de propaganda e de recrutamento de novos membros e simpatizantes, incluindo jovens e menores”. A introdução de ideologias extremistas em experiências interativas de jogo pode, acrescenta a instituição, contribuir para processos de radicalização.
A PJ recorda ainda que em janeiro deste ano lançou a campanha “Hate online, Kills offline”, dedicada à radicalização online de crianças e jovens, uma iniciativa que pretende mobilizar o Estado e a sociedade civil para uma resposta conjunta a um fenómeno que a polícia considera “um dos maiores desafios atuais”.


