A ministra da Saúde admitiu que a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) está “muito diminuída” devido às pessoas que continuam internadas nos hospitais após terem alta clínica. “Nós temos a capacidade de resposta no SNS muito diminuída” por causa dos chamados internamentos inapropriados, afirmou Ana Paula Martins, aos deputados da comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão na quinta-feira, 07 de maio.A ministra foi ouvida no âmbito da apreciação, na especialidade, do projeto de lei do PS que cria o programa “Voltar a Casa”, para dar resposta às pessoas que se encontram nos hospitais com alta clínica, mas que continuam a aguardar vaga em respostas sociais. Este diploma da bancada socialista foi aprovado, na generalidade, no final de fevereiro.São casos que têm um “impacto muito significativo no SNS”, salientou a governante, para quem as pessoas com alta clínica não devem permanecer nos hospitais, em primeiro lugar, pela sua própria segurança e por uma questão de humanização e dignidade, mas também por “ser insustentável” do ponto de vista financeiro.“Uma diária de uma cama de hospital é muito mais dispendiosa do que uma diária em qualquer das respostas sociais ou da rede de cuidados continuados integrados”, realçou a ministra da Saúde.No início deste ano, cerca de 2.800 utentes com alta clínica continuavam internados nos hospitais públicos à espera de uma resposta social ou de vaga em cuidados continuados, segundo dados da Direção Executiva do SNS.DiplomaRelativamente ao diploma da bancada do socialista, Ana Paula Martins reconheceu a importância do “impulso de trazer o tema” ao parlamento, mas considerou que apresenta alguns aspetos “imperfeitos”.“Há uma divergência normativa entre aquilo que no projeto de lei é considerado internamentos sociais e as soluções preconizadas”, referiu a ministra, adiantando que os cerca de 2.800 internamentos inapropriados não são todos casos sociais.Segundo disse, perto de 800 casos são efetivamente casos sociais, mas os outros 2.000 são utentes a aguardar lugar numa reposta que não pode ser a “solução que parece estar preconizada” no diploma do PS, uma vez que necessitam de uma vaga na rede de cuidados continuados.A ministra referiu ainda que as residências de transição, previstas no diploma do PS, preveem uma permanência dos utentes até dois anos, o que na perspetiva do Governo não parece a melhor solução. “Para nós, e ouvidos os peritos, a transição deve ser mesmo transição, de seis meses, prolongados por mais seis meses. O indicado para este tipo de solução não é manter as pessoas numa outra forma de institucionalização”, alegou Ana Paula Martins.Na audição, a deputada do PS, Irene Costa, salientou que o enquadramento feito pela ministra foi o mesmo do que o feito há cerca de dois anos, quando o Governo apresentou o plano “milagroso que iria resolver todos os problemas” do SNS.“Face aos dados que temos hoje em matéria de internamentos sociais é um claro exemplo do falhanço do Governo na área da Saúde”, referiu a parlamentar socialista, adiantando que em 2024 e 2025 “aumentaram o número de pessoas que ficam nos hospitais” por falta de respostas sociais ou da rede de cuidados continuados..Altas sociais. União das Misericórdias critica visão "irrealista" de Governo e PS.Programa do PS para reduzir internamentos sociais aprovado no parlamento com votos contra do PSD e CDS-PP