A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul apresentou queixa à Provedoria da Justiça contra o serviço prestado pela empresa ferroviária Fertagus, anunciou esta segunda-feira, 27 de abril, a estrutura de utilizadores daquele meio de transporte.Em comunicado, a comissão explicou que na queixa é pedida a intervenção da Provedoria de Justiça para garantir que os direitos dos utentes da Fertagus, empresa que assegura a ligação ferroviária entre a margem sul e Lisboa, são respeitados.É ainda pedido à Provedoria de Justiça que seja avaliado o cumprimento das obrigações de serviço público pela Fertagus e pela Infraestruturas de Portugal e a promoção de medidas que garantam a segurança, regularidade e transparência do serviço prestado.Os utentes pedem, também, o apuramento de responsabilidades sobre as falhas sistemáticas identificadas, a atempada informação aos utentes sobre a calendarização de obras e avarias e a garantia de alternativas face à diminuição do serviço.Outra das exigências é que seja promovido o diálogo entre os utentes, as Infraestruturas de Portugal e os vários operadores das ligações entre a margem Sul do Tejo e Lisboa.“Este é mais um passo que a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul dá na defesa da melhoria do serviço e do aumento da frequência do comboio da Ponte”, sustentou a comissão.No início de março, também a Comissão Utentes da Fertagus anunciou que tinha enviado à Comissão Europeia uma queixa contra o Estado português por permitir que os passageiros sejam diariamente transportados em condições “fora do padrão europeu” e “com riscos de segurança”.Em declarações à agência Lusa após apresentação pública em Lisboa do teor da queixa, o porta-voz da direção da Comissão de Utentes, Aristides Teixeira, disse que o serviço prestado pela Fertagus é um atentado à saúde pública, à integridade e à segurança dos passageiros..Demora na entrada e saída dos comboios e obras. As justificações da IP para os atrasos na Fertagus. No dia 14 de abril, a administradora da Fertagus, Ana Cristina Dourado, admitiu no parlamento que a empresa opera no limite da capacidade, apontando ao Governo a responsabilidade pelo reforço de comboios necessários para responder ao aumento da procura.Ana Cristina Dourado começou por reconhecer os problemas de desconforto, sobretudo nas horas de ponta, apontados pelos utentes, mas rejeitou falhas de segurança no serviço.Segundo a responsável, a procura na travessia ferroviária do Tejo cresceu cerca de 50% face a 2018, impulsionada por medidas públicas como a redução do preço dos passes e pelo aumento da população residente na margem sul.No dia 22 de abril, a secretária de Estado da Mobilidade admitiu, também no parlamento, que os constrangimentos na ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal resultam da falta de comboios, mas assegurou que o Governo está a trabalhar para melhorar a oferta.Na resposta às perguntas dos deputados da Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, disse não existirem problemas de segurança na operação da Fertagus e afirmou que, segundo a informação de que dispõe, não há registo de incumprimentos nesse plano.A ligação ferroviária entre Lisboa e a denominada Margem Sul foi inaugurada em 29 de julho de 1999, com o objetivo de retirar carros da Ponte 25 de Abril.A travessia liga as estações de Roma-Areeiro, em Lisboa, a Setúbal, e conta com 10 estações na Margem Sul e quatro na capital..Governo admite falta de comboios entre Lisboa e Setúbal e quer melhorar oferta