Governo admite falta de comboios entre Lisboa e Setúbal e quer melhorar oferta
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Governo admite falta de comboios entre Lisboa e Setúbal e quer melhorar oferta

Secretária de Estado da Mobilidade diz que o Executivo está a trabalhar para encontrar no mercado material circulante compatível.
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A secretária de Estado da Mobilidade admitiu esta quarta-feira, 22 de abril, no parlamento, que os constrangimentos na ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal resultam da falta de comboios, mas assegurou que o Governo está a trabalhar para melhorar a oferta.

“Isto é um problema de falta de comboios devido ao desinvestimento ao longo de décadas, é verdade. Mas também é verdade que não há comboios na prateleira para se comprar”, disse a secretária de Estado Cristina Pinto Dias, na audição requerida pelo grupo parlamentar do Chega sobre as condições de segurança, capacidade e qualidade do serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal.

“O problema resolve-se com comboios e eu não tenho comboios na prateleira para comprar. Estamos a trabalhar para encontrar no mercado material circulante compatível que permita dar resposta a esta necessidade”, frisou, deixando claro que a compra de comboios (usados) deverá ser feita em Espanha, devido aos condicionalismos decorrentes da bitola ibérica da ferrovia portuguesa e à previsível demora na concretização de uma compra de comboios novos - entre oito e 10 anos.

A governante salientou ainda que a alteração de horários e da periodicidade dos comboios da Fertagus foi feita com base em estudos técnicos, com passagem a uma cadência de comboios de 20 em 20 minutos no final do ano de 2024.

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A deputada do Chega Patrícia Carvalho - partido que exige uma resposta imediata do Governo para o problema da sobrelotação dos comboios da Fertagus -, foi uma das vozes mais críticas na audição, acusando o Governo de ter criado “caos operacional” ao aumentar a frequência para Setúbal e, simultaneamente, reduzir capacidade no troço mais procurado [Coina/Lisboa].

Patrícia Carvalho, que responsabilizou os sucessivos governos do PS e do PSD pelo desinvestimento no setor ao longo de décadas, perguntou também quem irá pagar os novos comboios que serão adquiridos pela Fertagus, e sobre as condições de segurança face à frequente sobrelotação de comboios nas horas de ponta, lembrando que já existe uma queixa apresentada na Comissão Europeia.

Por sua vez, o deputado do Livre Paulo Muacho criticou o contrato de concessão, por não proteger o interesse público, e questionou por que razão foram alterados horários sem garantir meios suficientes para responder ao aumento da procura.

Já para a deputada do PCP Paula Santos, é necessária uma intervenção do Governo no sentido de assegurar mais oferta ferroviária, o que, na opinião da parlamentar comunista, poderia passar por se “estender a operação da CP à margem sul do Tejo”.

A IL considerou evidente a necessidade de reforço do material circulante perante o crescimento populacional e a pressão crescente sobre os transportes públicos.

Na resposta às perguntas dos deputados da Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, a secretária de Estado da Mobilidade disse não existirem problemas de segurança na operação da Fertagus e afirmou que, segundo a informação de que dispõe, não há registo de incumprimentos nesse plano.

Por outro lado, afastou a hipótese de a CP avançar de imediato para esta linha, devido ao contrato de exclusividade da Fertagus e à falta de material circulante.

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