A excessiva demora na entrada e saída das carruagens do comboio que liga Setúbal a Lisboa pela Ponte 25 de Abril é uma das razões para os constantes atrasos que esse serviço sofre, o que tem levado os passageiros a vários protestos sobre a qualidade do serviço, queixas em que são acompanhados por autarcas da Margem Sul.Esta foi uma das justificações apresentadas ao DN pela Infraestruturas de Portugal quando questionada sobre as razões que levaram, recentemente, a Fertagus a alegar que as obras na via e a redução de velocidade autorizada para a circulação eram algumas das justificações para essa baixa na qualidade desta oferta ferroviária, principalmente nas horas de ponta da manhã e tarde.As queixas e denúncias dos passageiros começaram a surgir depois de, no final de 2024, a empresa concessionária ter aumentado a frequência das ligações entre Setúbal e Lisboa, o que aconteceu em dezembro de 2024. Desde essa altura, as redes sociais começaram a ser “invadidas” por fotos e vídeos de carruagens sobrelotadas e de queixas devido ao constante não-cumprimento dos horários previstos.Perante as queixas a empresa concessionária, a Fertagus, tem apontado a falta de carruagens e as obras que a Infraestruturas de Portugal está a efetuar nas vias, e que impedem uma maior velocidade dos comboios, como as razões para tal situação, como explicou ao DN o presidente da Câmara do Seixal, Paulo Silva, após uma reunião recente que manteve com a administração da empresa.Agora, questionada sobre as razões apresentadas pela Fertagus - que na reunião com o autarca também lembrou não ter mais comboios para colocar ao serviço, além dos que são utilizados diariamente -, fonte oficial da Infraestruturas de Portugal dá justificações diferentes..Utentes da Fertagus apresentaram queixa contra o Estado à Comissão Europeia. 20% dos atrasos associados à entrada e saída do comboioNa resposta por escrito enviada ao DN a empresa responsável por conceber, construir, gerir e manter as redes rodoviárias e ferroviárias nacionais, começa por frisar que “a evolução dos indicadores de pontualidade nos serviços Fertagus resulta de múltiplos fatores, incluindo limitações de velocidade na infraestrutura, constrangimentos operacionais e incidentes técnicos, entre outros não-diretamente atribuíveis à IP”.A IP recorre aos seus dados para acrescentar: “A monitorização mais recente indica que, de acordo com os nossos dados, cerca de 20% dos atrasos estão associados a tempos de embarque e desembarque superiores aos previstos, da responsabilidade da Fertagus, agravados pelo forte aumento de passageiros e pela extensão do serviço a Setúbal, que veio intensificar os fluxos de procura e prolongar os tempos de paragem nas estações. A alteração do horário da Fertagus no final de 2024, com uma maior oferta a Setúbal, introduziu cadências mais exigentes, tornando a circulação mais vulnerável à propagação de pequenos constrangimentos aos horários.”Quanto à alegação de que os comboios não estão a circular à velocidade adequada, devido às obras na via, a Infraestruturas de Portugal garante que “as limitações de velocidade temporárias associadas às intervenções de manutenção em curso representam cerca de 32% dos atrasos. Os restantes resultam de anomalias no material circulante, falhas de sinalização e outras ocorrências operacionais”..Fertagus garante à Câmara do Seixal: "Não há solução a curto prazo" para sobrelotação no comboio da ponte. Reconhecendo que existe a limitação de velocidade, a empresa frisa que está a “a substituir 12km de carril e tem planeadas intervenções que permitirão, até ao final do primeiro semestre de 2026, eliminar a maioria das limitações de velocidade em vigor”.Na resposta enviada é ainda sublinhado que a “IP está a trabalhar em articulação com a Fertagus de modo a acelerar o processo de substituição programada de carril, minimizando a duração das limitações de velocidade associadas a estes trabalhos”.Sem solução a curto prazoRecorde-se que a Fertagus explicou no final de janeiro, numa resposta ao DN, que o desempenho da sua operação estava relacionado com o “crescimento acelerado da procura, a ausência de material circulante para reforço da frota e o desempenho e fiabilidade do serviço de outros operadores de transporte da Área Metropolitana de Lisboa (AML)”. Na altura adiantou que o nível de realização dos horários era “extremamente elevado, 99,36% dos comboios foram realizados durante o ano de 2025” e que atingiu um recorde de 31,8 milhões de passageiros transportados.Explicou ainda que opera “diariamente com 17 das suas 18 unidades quádruplas elétricas, não dispondo de material circulante adicional para reforço da oferta. Esta situação tem sido comunicada ao Estado concedente desde 2023. A empresa já apresentou soluções para o reforço de oferta, nas quais se encontra a trabalhar, aguardando a necessária revisão do enquadramento contratual por parte do Estado Português”. Na altura frisou que tem duas carruagens adquiridas à Renfe (operadora ferroviária espanhola) e que estas estão em fase de adaptação técnica, prevendo-se que seja necessário um ano e meio até estarem operacionais. .Culpa da IP, muita procura e falta de carruagens: justificações da Fertagus para os dramas no comboio da Ponte