Em oito dias de urgência centralizada de ginecologia-obstetrícia no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a receber utentes da sua área de influência e do Hospital de Vila Franca de Xira, que integra a própria cidade, Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos e Benavente, Unidade Local de Saúde Loures-Odivelas (ULSLOD) considera que a atividade se mantém igual à que registou nos dois meses anteriores. Isto mesmo é referido nas respostas dadas às questões do DN sobre um balanço a curto prazo e se este já obrigaria a mais medidas.De acordo com a ULSLOD, a média de partos registada “na primeira semana de funcionamento (começou a 16 de março), a Urgência Centralizada de âmbito regional de Ginecologia-Obstetrícia de Loures-Odivelas/Estuário do Tejo registou, uma média diária de 6,1 partos e 40,6 admissões, números que estão em linha com as médias de janeiro e fevereiro”. Ou seja, cerca de 320 admissões em oito dias e 48 partos. O que, segundo a ULS, "foi o que aconteceu nos dois primeiros meses do ano, sendo 18% das admissões neste serviço foram de utentes provenientes da área de influência da ULS do Estuário do Tejo (Vila Franca de Xira), valor que, comparado com as primeiras três semanas de março, se mantém praticamente inalterado (19,2%)”, explicam ao DN.A ULS garante ainda que o início desta urgência centralizada “foi acompanhada pelo reforço da equipa do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Beatriz Ângelo que conta com 27 médicos e 18 enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstétrica”, sendo que a ULS de Vila Franca de Xira apenas contribui para estas equipas com um só enfermeiro, 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano, pois só tem um médico especialista nesta área no mapa de pessoal - isto mesmo foi confirmado na altura da abertura da urgência centralizada ao DN. Tudo indica que a haver reforço terá sido à custa da contratação de médicos tarefeiros, mas tal não é assumido pela ULS na resposta dada ao DN. O que se sabe é que a situação continua nas preocupações dos profissionais no terreno. “A sensação de preocupação mantém-se, porque a situação global não mudou. As equipas são as mesmas e a área de influência a que temos de responder é maior. Só com o tempo é que poderemos perceber o impacto de tudo isto”, alerta o delegado do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) do Hospital Beatriz Ângelo, João Nunes. Por exemplo, “na área da anestesia não há reforço com médicos tarefeiros, continuamos a ser os mesmos para fazer partos. Na área de ginecologia-obstetrícia também não havia tarefeiros, as equipas eram constituídas só com médicos do hospital, se entretanto foram contratados tarefeiros é uma novidade”, explica ainda.Em relação ao facto da ULSLOD dizer que a média de admissões e de partos é idêntica à de semanas ou meses anteriores, o médico destaca também que “a flutuação de partos, por exemplo, de uma semana para a outra é grande, não dando para perceber ao fim deste tempo se estamos perante uma tendência global só com o que se passou nesta primeira semana”, remara João Nunes.A verdade, reforça, é que “passámos por regra e sistema a receber efetivamente todas as utentes da área da ginecologia-obstetrícia em situação de urgência de uma área de residência que não é a da ULS Loures-Odivelas. É claro que quando a urgência de Vila Franca de Xira estava fechada isto já acontecia, mas não era sempre. Agora, é. E os recursos humanos não aumentaram e o número de camas também não. Portanto, a sensação de preocupação inicial mantém-se e só o tempo mostrará o seu impacto”, embora haja questões que, se calhar, nunca terão resposta, como: “Qual o número de grávidas que deixaram de ir ao Serviço Nacional de Saúde e passaram para o privado?”Aliás, esta em sido uma das questões contra a qual os autarcas da região de Vila Fraca de Xira têm protestado - quantos quilómetros têm de fazer numa situação de urgência, grávidas de Benavente, por exemplo? - desde que foi anunciada a decisão de abrir em Loures uma urgência centralizada encerrando a do Hospital Vila Franca de Xira. Os autarcas da Península de Setúbal também têm vindo a protestar contra a criação de urgências centralizadas na área da Ginecologia-Obstetrícia, já que a 15 de abril deverá começar a funcionar esta mesma urgência no Hospital Garcia de Orta com recursos do Hospital do Barreiro, cuja urgência desta área irá encerrar..Primeira Urgência Centralizada de Obstetrícia avança em Loures, mas só com reforço de enfermeiros.Hospitais da Península de Setúbal começam urgência centralizada de obstetrícia a 15 de abril dividida em dois polos