A Universidade NOVA de Lisboa anunciou no site oficial que foi retomado o processo eleitoral para reitor e mantida a votação marcada para sexta-feira, 24 de abril, depois de ter apresentado ao Tribunal Administrativo de Lisboa uma “resolução fundamentada” alegando interesse público na manutenção da data eleitoral, expediente que levanta a suspensão decretada no âmbito da providência cautelar interposta por quatro docentes da NOVA SBE. Mas três candidatos - Elvira Fortunato, João Amaro de Matos e José Júlio Alferes -, em carta enviada à presidente do Conselho Geral a que o DN teve acesso, anunciam que não participarão no ato eleitoral, por entenderem que a decisão judicial de suspensão continua a impor-se. A nova decisão da Reitoria reabre uma batalha jurídica que parecia, na véspera, ter travado a repetição da eleição para reitor. Em nota oficial divulgada esta quinta-feira, a NOVA informa que, “no âmbito da providência cautelar em curso no Tribunal Administrativo de Lisboa, foi apresentada a respetiva resolução fundamentada” e sustenta que, “de acordo com a doutrina e a jurisprudência, a apresentação de uma resolução fundamentada tem como efeito o levantamento da suspensão anteriormente decretada no âmbito da providência cautelar, permitindo assim a retoma do processo eleitoral, mesmo antes de existir uma decisão judicial final”. A universidade conclui, por isso, que “o processo eleitoral prossegue a sua tramitação normal, estando a realização do ato eleitoral confirmada para o dia de amanhã, 24 de abril de 2026”.O episódio é o mais recente de uma crise com vários níveis. A repetição da eleição para reitor resulta de uma decisão judicial anterior que mandou reconstituir o ato eleitoral, depois de ter sido considerada ilegal a exclusão da candidatura de Pedro Maló. A universidade aceitou essa decisão e não recorreu. Mas o conflito deixou há muito de ser apenas sobre a repetição da eleição para reitor. O ponto mais sensível passou a ser outro: saber se essa repetição deve ser conduzida pelo atual Conselho Geral, que elegeu Paulo Pereira, ou pelo novo órgão a eleger a 21 de maio. Em informação oficial anterior, a universidade sustentou que o processo eleitoral foi desencadeado pelo Conselho Geral, “órgão competente para o efeito”, e que esse órgão “se encontra em funções, nos termos dos Estatutos da Universidade NOVA de Lisboa”. É precisamente esta leitura que quatro docentes da NOVA SBE contestam em tribunal.O desenvolvimento desta quinta-feira agravou o impasse. Numa carta dirigida à presidente do Conselho Geral, Luísa Ferreira, a que o DN teve acesso, três candidatos à reitoria - Elvira Fortunato, João Amaro de Matos e José Júlio Alferes - declararam “de forma inequívoca” que não participarão em “qualquer ato eleitoral previsto para o dia 24 de abril de 2026, em estrito cumprimento da decisão proferida pelo Tribunal Administrativo de Lisboa, a qual determinou a suspensão do respetivo processo eleitoral”, posição contrária à tida nas eleições de setembro, igualmente realizadas sob resolução fundamentada. No texto, os signatários afirmam ainda que qualquer atuação em sentido contrário “configuraria uma violação grave do quadro jurídico aplicável” e repudiam “qualquer tentativa de recorrer a expedientes ou interpretações jurídicas artificiosas que visem contornar ou desvirtuar o alcance da referida decisão judicial”.Contactada pelo DN, Elvira Fortunato não quis prestar declarações, remetendo para os dois candidatos que, com ela, assinam a missiva. À hora de fecho, o cenário é de máxima incerteza: a universidade considera que a suspensão cautelar foi levantada e confirma a eleição para esta sexta-feira; três candidatos anunciam que não comparecerão; mantém-se uma dúvida operacional decisiva: saber se o Conselho Geral reunirá quorum para votar, uma vez que a eleição do reitor exige, segundo a ata do ato eleitoral de setembro de 2025, a presença de dois terços dos membros em efetividade de funções. E continua por decidir o mérito da ação principal sobre a legitimidade do atual Conselho Geral para conduzir a repetição do ato eleitoral. Mesmo que a votação avance, o litígio está longe de encerrado. .Universidade NOVA: repetição da eleição para reitor suspensa após providência cautelar de docentes da SBE. Universidade NOVA repete eleição para reitor sob contestação judicial. Universidade NOVA repete eleição para reitor sob contestação judicial