Universidade de Évora prevê duas novas residências para estudantes com 260 camas no próximo ano
A Universidade de Évora (UÉ) pretende concretizar, no próximo ano, os projetos de duas novas residências para estudantes, com um total de 260 camas, e estabelecer parcerias com privados para mais alojamento, foi hoje anunciado.
Falando aos jornalistas no Dia da Universidade, o reitor da academia, António Candeias, indicou que está agora a terminar a requalificação da última de três residências intervencionadas com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“É importante que essas camas estejam disponíveis de imediato, mas mais importante do que isso é conseguirmos concretizar, durante o ano que vem, uma nova residência na Malagueira e ter também disponível a residência das Alcaçarias”, adiantou.
Segundo o responsável, a UÉ avançou com um novo projeto, depois de ter anulado a parceria que tinha com um investidor privado para a construção de uma residência num terreno da academia situado no bairro da Malagueira, na periferia da cidade.
“Este projeto de residência, que já tem um PIP [Pedido de Informação Prévia] e está já pré-aprovado na câmara municipal”, realçou, referindo que as obras de construção avançam “assim que haja financiamento”.
O reitor revelou que o novo projeto da Malagueira prevê “pouco mais de 200 camas” e um investimento de “cerca de oito milhões de euros”, enquanto o das Alcaçarias, com cerca de 50 camas, resultará da reabilitação de um edifício no centro histórico.
Além destes projetos, António Candeias salientou que a instituição quer estabelecer “parcerias com entidades privadas para conseguir também alargar o leque de oferta qualificada” de residências para os seus alunos.
O reitor admitiu que as instituições de ensino superior enfrentam constrangimentos, como o financiamento e a adequação ao novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), entre outros.
“Os constrangimentos financeiros são muito importantes, mas cabe-nos arranjar soluções”, assinalou, reconhecendo que gostava que “a dotação do Orçamento do Estado (OE) fosse maior”.
O responsável aludiu ao aumento da dotação na ordem de 1,7% previsto na proposta de OE para 2027, que comparou com o valor da inflação, lembrando outras despesas da instituição, como progressões de carreira e novas contratações.
“O orçamento do ano que vem é inferior ao orçamento que tivemos para este ano, se bem que a dotação seja maior, mas será um contributo ainda menor para aquilo que é a necessidade premente da Universidade de Évora”, vincou.
Perante a situação, prosseguiu, é preciso a UÉ ser “competitiva e relacionar-se com a sociedade civil para conseguir financiamento” e assinar com a tutela um contrato-programa que inclua “as ambições e a visão” da instituição.
No seu discurso na sessão solene que marcou o início do ano letivo, no âmbito das comemorações do Dia da Universidade, que assinala a fundação da Universidade Jesuíta, em 1559, o reitor destacou a importância que a UÉ tem para a região e país e mencionou vários números.
O responsável disse, por exemplo, que a academia, nos últimos oito anos, “conseguiu obter mais de 100 milhões de euros de financiamento competitivo aprovado para investigação, dos quais cerca de metade proveniente de instrumentos europeus”.
Já a presidente da Associação Académica da Universidade de Évora (AAUE), Ana Beatriz Calado, permaneceu em silêncio quase um minuto, antes de iniciar a sua intervenção, num ato simbólico para alertar para a importância dos estudantes para a cidade.
Nas declarações aos jornalistas no final da cerimónia, Ana Beatriz Calado avisou para as dificuldades dos alunos, indicando que alguns estão “a escolher cursos que não desejam e que não queriam seguir para ficarem perto de casa e, de alguma forma, não gastarem tanto dinheiro”.

