Universidade de Évora vai criar polo de Aeronáutica e Aeroespacial no aeródromo
A Universidade de Évora vai criar um polo dedicado ao setor da Aeronáutica e Aeroespacial junto ao aeródromo da cidade, em instalações cedidas pela câmara e pelo IPMA, permitindo lançar novos cursos nestas e noutras áreas.
“A nossa grande aposta é o curso de Engenharia Aeroespacial, que queremos que seja uma referência no panorama nacional”, mas estas instalações “podem servir para outro tipo de formações”, afirmou esta sexta-feira, 25 de setembro, o reitor da Universidade de Évora (UÉ), António Candeias, após a assinatura de acordos de cedência de instalações num hangar do aeródromo municipal.
Estes acordos preveem a cedência à UÉ para a criação do polo de uma parte do edifício de uma antiga escola de pilotos, localizada no aeródromo e propriedade do município, e do Centro Regional de Meteorologia do IPMA, situado junto à infraestrutura.
Assinalando que a academia já ambicionava ter infraestruturas para desenvolver a Aeronáutica e o Aeroespacial, o reitor referiu que o polo vai dar à UÉ “condições para criar um curso de excelência nestas áreas e também apoiar o ‘cluster’ aeronáutico”.
“Estamos a criar as condições para que a UÉ possa dar resposta às necessidades das empresas, através da criação de laboratórios que vão servir, não só para a formação, mas também para a investigação”, adiantou.
António Candeias salientou que o curso de Engenharia Aeroespacial da academia alentejana abriu no ano letivo anterior e revelou a intenção de, com o novo polo, a instituição avançar para a criação do mestrado nesta área.
“Vamos começar a trabalhar na proposta para que os alunos que estão agora no segundo ano e para o ano que vem acabarem o terceiro tenham a oportunidade de continuar a sua formação na Universidade de Évora e completar os cinco anos de engenharia”, realçou.
O reitor admitiu que, com estas instalações, seja possível à UÉ pensar em criar “uma formação pós-graduada ou mesmo a nível de segundo ciclo na área da Gestão de Risco ou da Proteção Civil”, assim como em climatologia.
“É o Polo da Aeronáutica e Aeroespacial da Universidade de Évora, mas é claro que temos de pensar que as infraestruturas que aqui serão desenvolvidas poderão dar apoio a outras áreas, incluindo a área da robótica e da mecatrónica”, frisou.
De acordo com o responsável, a academia prevê investir cerca de um milhão de euros nas instalações, metade para a reabilitação e renovação de espaços e a outra metade para aquisição de equipamentos para os laboratórios.
“Vamos ter os laboratórios de um lado”, nas instalações do IPMA, “as salas de aulas do outro”, no edifício da antiga escola de pilotos, “e pelo meio o aeródromo onde os alunos podem experienciar”, destacou.
António Candeias indicou que, além destas instalações, a UÉ vai poder utilizar para atividades um hangar, que vai ser partilhado com a escola de pilotos que funciona no aeródromo municipal e a Escola Secundária Gabriel Pereira.
O reitor previu que, no segundo semestre do atual ano letivo, “seja possível haver alguma componente letiva” dos alunos de Engenharia Aeroespacial nas instalações do polo, “pelo menos um dia de aulas seja passado neste ambiente imersivo do aeródromo”.
O curso de Engenharia Aeroespacial da UÉ contou com 20 alunos inscritos no ano letivo passado e outros 20 no atual, estando previstas mais 25 vagas na 2.ª fase de candidaturas ao ensino superior, cujos resultados deverão ser conhecidos ainda este mês.
Presente na cerimónia, a secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, destacou que o espaço e a aeronáutica “são setores cada mais importantes a vários níveis”, como ao nível da soberania, industrial e capacitação de pessoas.
Já o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, considerou que a aposta da cidade no desenvolvimento das áreas aeroespacial e aeronáutica “precisa de um novo impulso” e aludiu à “procura muito grande por indústrias ligadas à segurança e defesa”.

