Autoridades foram notificadas há uma semana e, este domingo, dia 10, as 143 pessoas a bordo do navio MV Hondius (passageiros e tripulação) começaram a ser retiradas em Tenerife para serem repatriadas.
Autoridades foram notificadas há uma semana e, este domingo, dia 10, as 143 pessoas a bordo do navio MV Hondius (passageiros e tripulação) começaram a ser retiradas em Tenerife para serem repatriadas.Foto: EPA/Miguel Barreto

Um mês e meio de viagem, seis casos oficiais e três mortes, conheça a cronologia do caso do Hantavírus no navio Hondius

O que menos se esperava numa viagem de recreio, aconteceu: um surto de hantavírus. Autoridades foram notificadas há uma semana e, este domingo, dia 10, as 143 pessoas a bordo do navio MV Hondius (passageiros e tripulação) começaram a ser retiradas em Tenerife para serem repatriadas. Agora, é tempo de procurar respostas para se descobrir onde e como ocorreu a transmissão. Aqui fica a cronologia dos acontecimentos.
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20 de março – Navio parte de Tierra del Fuego, Patagónia, na Argentina com destino à Antártida. Volta uns dias depois a este país para uma paragem em Ushuaia, de onde sai a 1 de abril com 149 pessoas (tripulantes e passageiros) de 23 nacionalidades — entre elas um português na tripulação.

21 de março – O destino era atravessar o Atlântico Sul até às Canárias, em Espanha, mas a rota previa a Antártida Continental, pelas Ilhas Malvinas e por uma outra ilha vizinha, a Geórgia do Sul (onde há apenas cientistas). Depois, seguiu-se a ilha Nightingale (também desabitada) e por Tristão da Cunha, o arquipélago habitado mais remoto do mundo, parte do território ultramarino britânico.

6 de abril – Um homem de 60 anos, dos Países Baixos, fica com febre, diarreia, dor de cabeça e dor abdominal. Fica com graves dificuldades respiratórias e morre a bordo no dia 11. O corpo é congelado e conservado a bordo. (Mas ainda não está confirmado que tenha sido por Hantavírus, daí as autoridades falarem em apenas seis casos oficiais de oito suspeitos).

24 de abril – O navio atraca na ilha de Santa Helena, território ultramarino britânico, a cerca de 2300 quilómetros da costa de Angola. É aqui a viúva, também neerlandesa, de 69 anos, desembarca para acompanhar o corpo do marido, quando já se sentia doente e com problemas gastrointestinais. A mulher, que pretendia seguir para Amesterdão, no dia 25 de abril, via Joanesburgo, num voo da KLM, acaba por desmaiar no aeroporto, transportada para um hospital, onde morre a 26 de abril (é o primeiro caso oficial). Mas, neste entretanto, contactou com uma comissária de bordo e uma mulher espanhola. No dia 24, desembarcaram ainda mais 40 passageiros, entre eles um outro doente que recebeu tratamento ao chegar à Suíça (segundo caso oficial) informação que só veio a ser conhecida na última semana, dia 7 de maio. A bordo, um britânico queixa-se ao médico do navio de problemas respiratórios e febre. Pensa-se em pneumonia.

26 de abril - O cruzeiro atraca em Ascensão, outra ilha território ultramarino britânico. O britânico que tinha adoecido piora e é transferido para a África do Sul e internado num hospital de Joanesburgo. Testa positivo para infeção por hantavírus dias mais tarde (terceiro caso oficial), continua vivo e a ser tratado.

28 de abril – Uma alemã, a bordo do navio, manifesta sintomas de pneumonia, e acaba por morrer a 2 de maio (quarto caso oficial, terceira morte).

3 de maio – Navio aproxima-se de Cabo Verde e OMS é oficialmente notificada. A bordo, três passageiros queixam-se de sintomas idênticos aos dos outros doentes: febre e problemas gastrointestinais. Não há autorização para atracar nem para desembarcar passageiros. Cabo Verde envia equipas médicas a bordo e começam a ser feitas análises. O médico a bordo é um dos doentes.

4 de maio – É confirmado que a viúva do primeiro doente morreu mesmo com hantavírus. Um dia depois, o ministro da Saúde, sul-africano confirma que doente britânico contraiu também o vírus dos Andes, a causa mais comum da síndrome pulmonar por hantavírus na América do Sul — e a única transmissível entre humanos.

5 de maio – OMS começa a procurar passageiros do voo da KLM onde a viúva neerlandesa chegou a entrar.

6 de maio – Três pessoas são retiradas do navio por suspeita de estarem infetadas, são transportadas em aviões ambulâncias para os Países Baixos, o cidadão britânico (guia da expedição), um neerlandês (médico de bordo), ambos dão positivo para o vírus, (são o quinto e o sexto casos oficiais). A passageira alemã testa negativo. Na última semana, todos os passageiros ficaram confinados aos seus camarotes com turnos programados para passeios higiénicos no convés.

8 de maio – navio levanta âncora da costa de Cabo Verde com destino ao porto de Tererife, Canárias, onde atracou na madrugada deste domingo, dia 10, onde deve permanecer até todos os passageiros terem sido retirados, o que deve acontecer até final da tarde de segunda-feira, dia 11, e repatriados. Os tripulantes deverão ficar a bordo e seguir no navio até aos Países Baixos, de onde é oriundo.

10 de maio - O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que chegou no dia anterior à ilha espanhola, tenta tranquilizar os residentes de Tenerife, dizendo que o vírus não é “outro Covid”. Tedros Adhanom Ghebreyesus disse mesmo:

“Sei que estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra ‘surto’ e veem um navio navegar em direção às vossas costas, surgem memórias que nenhum de nós colocou completamente de lado. A dor de 2020 ainda é real, e não a desvalorizo por um único momento”. O líder da OMS sublinhou ainda: “Preciso que me ouçam claramente: Isto não é outro Covid. O risco atual do hantavírus para a saúde pública continua baixo. Os meus colegas e eu dissemos isto de forma inequívoca, e digo-o novamente a vocês agora”. Até ao final da tarde de domingo, o desembarque estava a decorrer normalmente. Primeiro saíram os 14 espanhóis, depois seis franceses, que vão ficar em quarenta 42 dias.

Autoridades foram notificadas há uma semana e, este domingo, dia 10, as 143 pessoas a bordo do navio MV Hondius (passageiros e tripulação) começaram a ser retiradas em Tenerife para serem repatriadas.
Hantavírus. Começou o desembarque de passageiros do cruzeiro em Tenerife
Autoridades foram notificadas há uma semana e, este domingo, dia 10, as 143 pessoas a bordo do navio MV Hondius (passageiros e tripulação) começaram a ser retiradas em Tenerife para serem repatriadas.
OMS garante que o risco representado pelo hantavírus "é fraco" e não é comparável com a covid-19
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