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ULS Braga apresentou queixa-crime contra Comissão de Utentes da Saúde

A ULS Braga, que fala em divulgação de informações falsas ou suscetíveis de gerar alarme social, realça que desconhece que esta comissão tenha promovido eleições para os seus orgãos sociais ou obtido o reconhecimento junto do Ministério da Saúde.
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A ULS Braga apresentou uma queixa-crime contra a Comissão de Utentes da Saúde de Braga, que, de acordo com o hospital, não se encontra formalmente reconhecida, por desinformação e imputações lesivas do bom nome da instituição.

Em comunicado, a ULS Braga constata que, nos últimos meses de 2025, foram "divulgados publicamente comunicados, notícias e iniciativas atribuídas à denominada Comissão de Utentes da ULS Braga", os quais tiveram “impacto negativo na perceção pública, contribuindo para a desinformação, a erosão da confiança no Serviço Nacional de Saúde e a perturbação do normal funcionamento dos serviços”.

Segundo a ULS Braga, apesar de essa comissão não estar formalmente constituída, a 26 de dezembro de 2025, realizou-se uma reunião entre ambas as partes, que terminou com a assinatura conjunta de um memorando, na qual o conselho de administração “sublinhou a necessidade de cumprimento dos procedimentos legalmente previstos para a legítima representação dos utentes e manifestou a sua preocupação com a divulgação de informação descontextualizada”. Nessa reunião, ainda de acordo com a ULS Braga, os representantes da comissão foram informados de que fora apresentada uma participação criminal “pela divulgação de informações falsas ou suscetíveis de gerar alarme social e lesar o bom nome da instituição”.

A 6 de fevereiro, diz a ULS Braga, realizou-se uma nova reunião com a então constituída Comissão de Utentes da Saúde de Braga, tendo sido reforçada a necessidade de assegurar um canal institucional de comunicação.

A ULS Braga realça que desconhece que esta comissão tenha promovido eleições para os seus orgãos sociais ou obtido o reconhecimento do seu âmbito e representatividade pelo Ministério da Saúde.

“Ainda assim, a referida Associação continua a apresentar-se publicamente como representante dos utentes, intensificando a sua atuação através de publicações e iniciativas cujo teor, em diversos casos, ultrapassa o direito de crítica, assumindo contornos lesivos para a reputação da instituição e do seu Conselho de Administração, sendo igualmente suscetível de induzir em erro terceiros quanto à sua legitimidade e representatividade”, entende a ULS Braga, que informa ter apresentado nova exposição junto do Ministério Público.

A instituição realça que “qualquer crítica ou exercício do direito à liberdade de expressão não pode abranger nem legitimar a imputação de factos falsos ou a formulação de juízos desprovidos de base factual mínima para os sustentar” e reafirma o seu compromisso “com uma gestão transparente, rigorosa e orientada exclusivamente para o interesse dos utentes e dos seus profissionais”.

"Desde o início que nos querem calar"

O porta-voz da comissão, José Manuel Lobato, disse à Lusa que a administração da ULS “tem dificuldade em lidar com a democracia e com a crítica”, mas garantiu que não irá conseguir calar a voz dos representantes dos utentes.

“Já fomos ouvidos pelo Ministério Público na sequência de uma primeira queixa, agora vamos ver o que se segue, mas estamos tranquilos. Desde o início que nos querem calar, mas não vão conseguir”, referiu, acrescentando que a comissão “não é contra ninguém", visando apenas "contribuir para a melhoria do Serviço Nacional de Saúde e dos cuidados prestados aos doentes”.

José Manuel Lobato esclareceu ainda que a escritura de constituição já foi assinada e que no dia 13 de junho haverá eleições para os órgãos sociais, tendo também já sido pedido o reconhecimento pelo Ministério da Saúde.

A última posição pública da comissão de utentes foi em inícios deste mês, quando pediu a demissão do conselho de administração da ULS, na sequência de denúncias sobre exames caducados, cirurgias canceladas e relatórios clínicos irrecuperáveis, devido a problemas informáticos.

As denúncias foram feitas pelo Sindicato dos Médicos do Norte, na sequência de uma carta aberta de médicos e “aproveitadas” pela comissão de utentes para pedir a demissão da administração.

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