Tribunal suspende de funções médica de Benavente suspeita de facilitar reformas
O Tribunal Central de Instrução Criminal suspendeu esta sexta-feira (3 de julho) de funções a médica de Benavente detida pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeita de ter recebido verbas indevidas para viabilizar reformas por invalidez.
A clínica, que saiu em liberdade, fica ainda proibida de sair de Portugal e proibida de contactar qualquer interveniente no processo, informou, em comunicado, o tribunal lisboeta.
Os outros dois médicos detidos na operação Relax foram também libertados, sujeitos exclusivamente a termo de identidade e residência, tendo o tribunal considerado que não existem indícios de que praticaram qualquer crime.
"The Twin Docs" reagem
Em comunicado emitido em nome de "The Twin Docs", os médicos Pedro Barreira e João Vasco Barreira reagiram publicamente à decisão judicial, sublinhando que o tribunal confirmou a "ausência de qualquer indício de crime" da sua parte.
Os clínicos, que intervieram no processo na qualidade de peritos do Instituto da Segurança Social, esclareceram que o Ministério Público lhes imputou a validação de apenas nove pareceres. Confrontando este dado com a dimensão total avançada pelas autoridades — que aponta para 182 beneficiários num esquema com mais de vinte anos —, os médicos defendem que a sua atuação foi estritamente técnica, "pontual e residual", e realizada sem o recebimento de qualquer benefício ou contrapartida.
No mesmo documento, os profissionais de saúde manifestaram total disponibilidade para colaborar com a justiça, mas não pouparam críticas à atuação policial, apontando uma forte "desproporção" entre a gravidade da detenção inicial e o desfecho da instrução criminal. Lamentando que a sua imagem tenha sido associada de forma "indiferenciada" a uma fraude de grande escala, os clínicos vincaram que a aplicação do simples Termo de Identidade e Residência — sem apreensão de documentos ou restrições profissionais — "repõe a verdade, ainda que não apague os custos reputacionais" sofridos por si e pelas suas famílias, reservando-se o direito de avaliar as consequências legais do caso.
Notícia atualizada com reação dos dois médicos também implicados

