Técnicos do INEM voltam à greve a 14 e 28 de setembro
Há semanas que os profissionais do INEM andavam a ameaçar com a possibilidade de uma paralisação como forma de protestar contra o novo modelo de organização do dispositivo nacional de emergência médica, definida pela nova Lei Orgânica do instituto. E a decisão foi tomada nesta quinta-feira, 13 agosto, durante a assembleia geral extraordinária, convocada pela Comissão de Trabalhadores do INEM, e anunciada pelo presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro.
Os técnicos do INEM vão mesmo voltar à greve nos dias 14 e 28 de setembro e, segundo anunciou ao DN Rui Lázaro, o STEPH vai chamar também os sindicatos dos médicos, dos enfermeiros e da função pública. “Avançar para uma greve já era uma vontade manifestada pelos nossos sócios há algum tempo. Foi colocada em cima da mesa no último plenário. Portanto, já faltava agendá-la”, referiu o dirigente, acrescentando que na base desta decisão “estiveram as preocupações manifestadas nesta assembleia geral, a maior de sempre, e o consenso de que as medidas que vão ser implementadas terão um forte impacto no socorro de emergência em Portugal”.
Rui Lázaro diz que os técnicos se “viram forçados a avançar para a greve porque entenderam que, nesta altura, estão esgotadas todas as formas de tentar convencer o Governo de como estas medidas vão ter consequências diretas na vida dos cidadãos”, recordando que “quando nos manifestámos em frente à Assembleia da República há semanas todos os outros partidos com assento no Parlamento se mostraram disponíveis para discutir a nova Lei Orgânica do INEM”. Aliás, reforça, “foram todos solidários e têm sido críticos das mudanças que estão a ser feitas no instituto, tendo sido já pedida a revisão parlamentar desta lei, que será discutida no Parlamento”.
Para os técnicos do INEM “só os partidos que sustentam o Governo e o Ministério da Saúde e o presidente do INEM é que parecem ser os únicos que não querem ver as consequências gravosas que estas medidas terão para os cidadãos”, acrescentando que “uma das medidas mais gravosas e com impacto direto e mais rápido na vida dos portugueses é a retirada de mais de 100 ambulâncias do Sistema Integrado de Emergência Médica”.
Rui Lázaro refere-se à transferência destas ambulâncias para as Unidades Locais de Saúde “para fazerem a transferências de doentes entre hospitais”. Se tal acontecer, por exemplo, “Marcelo Rebelo de Sousa, que na quarta-feira, foi transportado por uma dessas ambulâncias, teria de aguardar várias dezenas de minutos até que fosse encontrada uma ambulância disponível para enviar ao local e transportá-lo ao hospital. Como ele, muitos outros cidadãos passarão pelo mesmo”.
Questionado sobre se ainda é possível esta greve ser desmarcada, o presidente do STEPH diz que “sempre estivemos disponíveis para dialogar como o Governo. A última reunião que tivemos agendada foi o Governo que a cancelou, sem apresentar nova data. E recordo que, na greve de 2024, bastou a primeira reunião com a ministra da Saúde, de cerca de duas horas, para chegarmos a um entendimento e suspendermos a greve. Desejamos que ocorra o mesmo agora, que o Governo nos dê condições para que a greve possa ser suspensa”.
Recorde-se que em entrevista ao DN, há poucas semanas, o presidente do INEM, Luís Cabral, garantiu que com a entrada em vigor da nova Lei Orgânica, que aconteceu a 1 de agosto, “não haverá redução de meios ou da capacidade de resposta”.
A primeira vez que os técnicos do INEM avançaram para uma greve, às horas extraordinárias, foi no final de outubro, sendo que a 4 de outubro esta greve coincidiu com uma greve geral da função pública. Deste período, decorreram uma dezena de mortes suspeitas por falta socorro investigadas e já arquivadas pelo Ministério Público e pela Inspeção Geral das Atividade em Saúde (IGAS).

