INEM tem vindo a ser alvo de várias polémicas desde a greve dos técnicos em novembro de 2024.
INEM tem vindo a ser alvo de várias polémicas desde a greve dos técnicos em novembro de 2024.Pedro Correia

Trabalhadores denunciam “retirada de 100 ambulâncias” do INEM, com "risco acrescido" para utentes

Posição da Comissão de Trabalhadores surge após declarações do presidente do INEM à RTP, que confirmou a transferência de ambulâncias de emergência médica para as Unidades Locais de Saúde.
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A Comissão de Trabalhadores do INEM denunciou este domingo a “retirada de 100 ambulâncias” do dispositivo operacional próprio do INEM, considerando que tal aumentará a pressão sobre os bombeiros e a Cruz Vermelha, com “um risco acrescido” para os utentes.

“Não estamos perante um reforço do Sistema Integrado de Emergência Médica. Estamos perante a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional próprio do INEM”, afirmou a Comissão de Trabalhadores (CT) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), em comunicado.

Esta posição surge após declarações do presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, numa entrevista transmitida na sexta-feira pela RTP, em que confirmou a transferência das ambulâncias de emergência médica do INEM para as Unidades Locais de Saúde (ULS) e a transformação das atuais ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras.

“A concretizar-se esta decisão, 54 ambulâncias de emergência médica serão entregues às ULS e 46 ambulâncias SIV deixarão de ser ambulâncias, perdendo a capacidade de transporte de doentes”, expôs a CT.

Na perspetiva dos trabalhadores, esta opção “aumentará brutalmente” a pressão sobre os bombeiros e a Cruz Vermelha Portuguesa, uma vez que terão de assegurar “um número ainda maior de transportes num sistema já profundamente pressionado”.

Por isso, “o resultado previsível será o aumento dos tempos de resposta, uma maior indisponibilidade de meios e um risco acrescido para os utentes”, alertou a CT.

Neste sentido, os trabalhadores do INEM exigem que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, esclareça publicamente se concorda e dá respaldo político a esta decisão: “Ou confirma esta opção e assume integralmente as suas consequências, ou aproveita a entrada em vigor da nova lei orgânica para substituir, na íntegra, o atual Conselho Diretivo do INEM.”

Também o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) manifestou hoje “grande preocupação” com a retirada de 100 ambulâncias do Sistema Integrado de Emergência Médica do INEM, alertando para a demora na assistência aos cidadãos e realçando que esta decisão “ocorre em simultâneo com a abertura aos privados”.

“A intenção do sr. presidente do INEM torna-se óbvia e representa um assalto a um dos serviços mais essenciais do país”, apontou o STEPH, tendo enviado hoje um ofício à ministra da Saúde para “um esclarecimento urgente”, avisando que, caso não haja resposta até 1 de agosto, serão desenvolvidas “ações de protesto que só cessarão com a reversão destas medidas que estão a destruir o INEM e a sua capacidade de servir os cidadãos”.

Já os trabalhadores do INEM decidiram agendar uma assembleia geral para os primeiros dias de agosto, “para tomada de posição e aprovação de medidas concretas”, informou a CT, referindo que a mesma “apenas será desmarcada caso o cenário agora anunciado seja alterado de forma clara, pública e inequívoca”.

“Não é possível desmantelar a resposta operacional do INEM e esperar o silêncio, a contenção ou a passividade dos seus profissionais”, avisou a CT.

Além de exigirem esclarecimentos por parte da ministra da Saúde, os trabalhadores do INEM e o sindicato STEPH apelaram aos presidentes das 71 câmaras municipais afetadas, incluindo Lisboa, Porto, Coimbra, Loulé e Viseu, “para que defendam as suas populações”, porque “menos meios significa mais demora no socorro e maior risco para cada munícipe”.

Entre os municípios afetados, segundo a CT do INEM, estão também Braga, Setúbal, Aveiro, Faro, Leiria e Viana do Castelo.

As delegações do Norte, Centro e Sul deixam de constar da nova lei orgânica do INEM, de acordo com o diploma publicado em 16 de julho em Diário da República, mas o presidente do INEM adiantou à Lusa que o novo modelo de funcionamento prevê o reforço da presença da emergência pré-hospitalar nessas regiões, salientando que os estatutos que serão publicados mantêm os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) nos quatro polos e vão permitir "reforçar a presença dos serviços de apoio no Porto, Coimbra e Algarve com a contratação de mais profissionais".

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