Sociedade Portuguesa de Pneumologia pede medidas mais duras contra cigarros eletrónicos
Foto: Pedro Granadeiro

Sociedade Portuguesa de Pneumologia pede medidas mais duras contra cigarros eletrónicos

Coordenador da comissão de trabalho de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia lembra que “há evidência consistente que sugere que os cigarros eletrónicos podem ser carcinogénicos”.
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 A Sociedade Portuguesa de Pneumologia pediu esta sexta-feira, 29 de maio, medidas mais duras contra os cigarros eletrónicos e insistiu na necessidade de “desmascarar” a estratégia do marketing a favor destes cigarros e do tabaco aquecido.

Em declarações à Lusa a propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala no domingo, Daniel Coutinho, coordenador da comissão de trabalho de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), diz que é essencial promover campanhas de sensibilização e educação dirigidas aos mais jovens, sobretudo para “desconstruir mitos”, como a ideia de que os cigarros eletrónicos e o tabaco aquecido podem ajudar quando se quer deixar de fumar.

Lembra que “há evidência consistente que sugere que os cigarros eletrónicos podem ser carcinogénicos”, explicando que expõem o organismo a substâncias nocivas, como químicos e metais associados ao desenvolvimento de cancro, e podem causar danos nas células, como inflamação e alterações no DNA.

O investigador diz ainda que alguns estudos em animais identificaram lesões associadas ao desenvolvimento de cancro.

Daniel Coutinho chama igualmente a atenção para o potencial de doença respiratória aguda em jovens consumidores cigarros eletrónicos (conhecidos como ‘vape’): “O ‘vaping’ não é inofensivo. Não há dados que demonstrem quaisquer benefícios para a saúde”, sublinha.

“A ideia de que vapear é uma alternativa totalmente segura não é sustentada pela evidência científica”, defende o especialista.

Além disso, aponta o risco de algumas pessoas usarem ao mesmo tempo cigarros eletrónicos e tabaco tradicional, o que “aumenta e prolonga a exposição a substâncias nocivas”.

Para responder às “estratégias de marketing” relativas a estes dispositivos, a SPP defende a aplicação de um pacote de medidas “robusto, sustentado por evidência de eficácia no controlo do consumo”, como o aumento da carga tributária sobre todos os produtos de tabaco e nicotina, a completa proibição de sabores, uma forte regulação da publicidade nas redes sociais e do comércio ‘online’ destes produtos.

Sugere ainda o acesso universal a apoio especializado para quem quer deixar de fumar, lembrando que o tabagismo continua a ser um dos principais determinantes evitáveis de doença respiratória e morte prematura em Portugal e que deixar de fumar é a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de doença respiratória, cardiovascular e mortalidade.

Nas vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala dia 31, a SPP reforça a mensagem de que “a dependência nicotínica é uma doença crónica tratável” e que está provado que é mais eficaz aliar o apoio comportamental à terapêutica farmacológica.

“A substituição por dispositivos eletrónicos não é uma estratégia terapêutica reconhecida, podendo perpetuar a dependência”, avisa.

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