Com uma ameaça de greve em cima da mesa, o Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado (STRN) decidiu conceder mais dez dias para negociações com o Ministério da Justiça (MJ), garantindo, contudo, que este é o prazo final. “Daqui a 10 dias, só há dois caminhos: ou temos acordo e paz social, ou não temos acordo”, afirmou o presidente, Arménio Maximino, em conferência de imprensa esta tarde, 16 de abril.Durante a manhã, representantes da direção do sindicato reuniram-se com o Governo. “Nessa reunião, tivemos a oportunidade de clarificar melhor as propostas que apresentámos e o impacto que terão no setor”, explicou. Segundo o dirigente, a decisão de prolongar as negociações resulta de um “sentido de responsabilidade”.Na perspetiva do STRN, uma greve não seria benéfica neste momento. “Queremos assumir também essa responsabilidade para que possamos chegar a acordo, o que seria mais vantajoso para os oficiais e para as empresas. O setor não precisa de qualquer fator adicional de instabilidade face aos desafios que já enfrenta.”De acordo com Maximino, o que separa o ministério de um acordo é “0,49% ao ano, um valor completamente irrisório e insignificante face às vantagens que daí advirão para o setor e para a qualidade do serviço público que prestamos diariamente”. O STRN recorda ainda um debate proposto pelo PSD, quando estava na oposição, no qual apresentou “um conjunto de soluções”.Segundo o sindicato, não pode ser invocada uma questão orçamental por parte do ministério. “As taxas de registo financiam 60% de todo o funcionamento do Ministério da Justiça”, referiu. Arménio Maximino mostrou-se confiante num entendimento: “Nesse caminho, já percorremos, no mínimo, dois terços; é, portanto, razoável que o Governo percorra o terço restante.”O sindicato estima serem necessários 270 conservadores e 2.731 oficiais de registo, agravando-se a situação pelo facto de cerca de 30 funcionários se reformarem todos os meses.amanda.lima@dn.pt.Governo chega a entendimento com sindicatos do IRN e revisará tabelas salariais.Ministra rejeitou pedido do Sindicato dos Magistrados para abrir um concurso especial no Ministério Público