A despesa com horas extra e prestações de serviço no Serviço Nacional de Saúde (SNS) manteve a tendência de subida. No ano passado, no total o SNS pagou 745 565 116 euros.De acordo com os dados enviados esta terça-feira (14 de abril) ao DN pela Administração Central do Sistema de Saúde, a grande maioria destes pagamentos em 2025 foram para médico tarefeiros - 249,7 milhões de euros -, numa medida que teve como objetivo manter as urgências abertas. No caso dos enfermeiros foram pagos 10,3 milhões de euros aos profissionais.Em relação às unidades de saúde quem teve de investir mais para ter clínicos disponíveis foi a Unidade Local de Saúde Algarve com 21 591 474 euros.Segundo as tabelas a que o DN teve acesso, referentes aos três últimos anos, o SNS tem vindo sempre a pagar mais para conseguir contratar médicos, enfermeiros e outros serviços.Em 2023, os médicos tarefeiros receberam 191 771 034 euros e os enfermeiros 6 452 322. No ano seguinte, esses valores subiram para 212 804 899 euros e 10 616 996, respetivamente.Em 2025, de acordo com a Administração Central do Sistema de Saúde, atingiram-se os 249 710 134 euros, no caso dos médicos, e os 10 373 832, na contratação de enfermeiros.Refira-se que se dividir os valores pagos pelas horas trabalhadas chegamos à conclusão que, no caso dos clínicos, a média foi de cerca de 43 euros/hora.Seis milhões de horas extrasAlém de recorrer a médicos e enfermeiros tarefeiros, o SNS também viu aumentar a despesa relacionada com horas extras.Neste caso, os médicos fizeram 6,3 milhões de horas extras no ano passado, o que correspondeu a um pagamento de 268 365 005 euros. Quanto aos enfermeiros, estes cumpriram 5,9 milhões de horas extras que custaram 129 020 149 euros.Juntando a estes valores os referidos num item denominado "outros" ficamos a saber que no SNS foram necessárias 6,1 milhões de horas extras e 81,4 milhões de euros.Também nas horas extraordinárias existe um aumento da despesa desde 2023.Nesse ano - reunindo médicos, enfermeiros e "outros" - foram cumpridas no SNS 16,9 milhões de euros a mais a que correspondeu um pagamento de 464,5 milhões de euros.Em 2024, atingiu-se as 17,8 milhões de horas a mais dos horários e um total de 456,4 milhões de euros pagos.No ano passado, foram 18,4 milhões de horas e 478,7 milhões de euros.Algarve lidera pagamentosNesta relação de despesas do SNS, há uma unidade local de saúde que lidera os gastos: é a ULS Algarve. Ou seja, para conseguir reunir as condições de forma a manter as urgências abertas esta teve de pagar um total de 37,1 milhões de euros: 21,5 milhões em tarefeiros e 15,6 milhões em horas extras.Aliás, esta é a única ULS que está no top 5 no que diz respeito aos pagamentos tanto para médicos tarefeiros como em horas extras. No caso dos prestadores de serviços essa lista inclui nos cinco primeiros as ULS do Oeste (14,6 milhões), Oeste (14,6), Médio Tejo (13,1) e Alto Alentejo (12,04).Quanto às horas extras essa tabela é liderada pela ULS de Coimbra (26 milhões), seguindo-se o Algarve (15,6), Santa Maria (13,9), Lisboa Ocidental (10,4) e Santo António (10,3).Num comentário aos dados divulgados a Administração Central do Sistema de Saúde frisa que estes pagamentos permitem: "Garantir resposta atempada aos utentes, evitando o agravamento dos tempos de espera." Sublinha, ainda, que esta é uma forma de "assegurar flexibilidade na alocação de recursos humanos em períodos de maior procura." .SNS. 45% dos encargos com prestação de serviços médicos é pago a empresas que contratam tarefeiros.Castelo Branco. Hospital avisa médicos tarefeiros que não paga este mês na íntegra