Portugal regista uma "redução acentuada do perigo pandémico", indica o relatório do grupo de acompanhamento da pandemia do Instituto Superior Técnico (IST), que recomenda que as "medidas em vigor sejam reduzidas de forma quase total"..O documento, a que a Lusa teve acesso, na véspera da reunião de peritos e políticos para avaliação da situação da pandemia, avança que, ao nível das restrições, devem manter-se apenas a "máscara em ambientes públicos fechados", o "certificado digital covid-19 para eventos fechados de grande densidade" e o "isolamento de sintomáticos até desaparecimento dos sintomas".."A redução atual [de casos positivos] não se deve às medidas em vigor - que tiveram um efeito muito efetivo no passado - mas sim à saturação de contágios e esgotamento de suscetíveis" de contrair a infeção, adianta o relatório elaborado por Henrique Oliveira, Pedro Amaral, José Rui Figueira e Ana Serro, que compõem este grupo de trabalho coordenado pelo presidente do IST, Rogério Colaço..Estes especialistas reafirmam que, "entre vacinação e infeção, depois do final de fevereiro, toda a população terá alguma imunidade ao vírus" que causa a covid-19..Perante isso, a "manutenção das medidas apenas tem efeitos marginais neste momento", sublinha o relatório..De acordo com os dados de hoje, o indicador de avaliação da pandemia (IAP) elaborado pelo IST e pela Ordem dos Médicos (OM) - que combina a incidência, a transmissibilidade, a letalidade e a hospitalização em enfermaria e em cuidados intensivos - atingiu o pico desta vaga em 24 de janeiro, com 105.8 pontos, acima do limiar de 100 pontos considerado o nível crítico..Na fase atual com a redução desses parâmetros, o IST e a OM preveem uma "franca descida" dos internamentos em enfermaria nos próximos 15 dias, assim como uma tendência de redução do número de doentes em cuidados intensivos.."Os óbitos diários em média móvel a sete dias passaram de 45.9 para 45.4, tendo já passado o seu pico, atingido em 6 de fevereiro. Poderemos ter ainda algumas flutuações estatísticas antes da descida acentuada do final de fevereiro", estimam as duas entidades..A partir do momento que o indicador de avaliação da pandemia esteja abaixo dos 20 pontos -- com os dados oficiais de hoje divulgados pela Direção-Geral da Saúde está nos 76.11 -- "as medidas devem ser integralmente eliminadas, com exceção do contexto dos espaços de serviços de saúde e junto de indivíduos vulneráveis".."Note-se que abaixo desse valor de 20 pontos IAP, a doença covid-19 não coloca riscos acrescidos face a outras doenças endémicas igualmente graves e de notificação obrigatória. A nossa previsão para essa ocorrência será o dia 10 de março de 2022", indica o relatório, ao alertar que a monitorização dos números da pandemia deve ser "feita de forma rigorosa e transparente até a declaração de fim de pandemia pela Organização Mundial da Saúde"..O documento admite ainda que há "ainda e sempre a possibilidade da introdução de novas mutações" do coronavírus SARS-CoV-2, sendo "muito recomendável" uma vigilância por amostragem dos viajantes vindos de zonas mais sensíveis..A covid-19 provocou pelo menos 5.823.938 mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse..Em Portugal, desde março de 2020, morreram 20.620 pessoas e foram contabilizados 3.111.858 casos de infeção, segundo a última atualização da Direção-Geral da Saúde.