No que diz respeito aos exames nacionais, não vale a pena procurar por novas leis ou alterações de última hora: 2025/26 é o ano letivo em que, na verdade, nada muda. O cenário que os alunos enfrentam agora é o desfecho natural de uma reforma traçada em 2022 e cuja grande alteração já estava em curso no ano passado.Este ano, a grande "notícia" é precisamente a ausência de mudanças: o sistema encerrou a sua fase de transição e está agora plenamente em vigor, trazendo a estabilidade que as famílias reclamavam. Com o peso das provas fixado nos 25% e a avaliação da escola a garantir os restantes 75% da nota, o sucesso dos estudantes deixou de estar refém de um único "dia de exame" para passar a depender da consistência de todo o percurso escolar.1. Afinal, quais são as novidades dos exames no ano letivo de 2025/26?Na prática, este ano letivo não introduz alterações inéditas, mas marca a consolidação total do modelo que começou a ser posto em prática em 2022. A principal “novidade” — que não é nova, uma vez que está em curso desde o ano letivo passado — é a uniformização: agora, todos os estudantes, do 10.º ao 12.º ano, respondem perante as mesmas regras, sem as exceções do período de transição. O exame nacional perdeu influência, valendo agora 25% da nota da disciplina contra os anteriores 30%, o que empurra a avaliação dos professores para uma fatia decisiva de três quartos da nota final. Além disso, a média do Secundário passou a ser ponderada, dando mais valor às disciplinas trienais como Português ou Matemática, e o número de exames obrigatórios foi fixado em apenas três para todos os percursos, independentemente da área de estudos.2. Mas eu ouvi dizer que havia grandes mudanças em 2025/2026...Não no Ensino Secundário. O regime de exames nacionais que está agora em vigor é o que foi definido em 2022, já foi aplicado, na prática, em 2024/25 e não sofreu novas alterações estruturais. A confusão deve-se à introdução e consolidação das chamadas Provas ModA, que têm um propósito e um público-alvo totalmente distintos e que não afetam o percurso dos alunos do Secundário.3. O que são provas ModA?As Provas ModA são instrumentos de monitorização das aprendizagens destinados exclusivamente ao Ensino Básico, concretamente aos 2.º, 5.º e 8.º anos. Estas provas servem para o Ministério avaliar o estado do sistema e não têm qualquer impacto na nota do aluno, não existindo sequer no Ensino Secundário.4. Então, quem tem de fazer exames nacionais?Todos os alunos dos cursos científico-humanísticos do ensino regular que pretendam concluir o Ensino Secundário — ciclo que compreende o 10.º, o 11.º e o 12.º anos de escolaridade — e obter o respetivo diploma. Além disso, qualquer aluno — incluindo os do Ensino Profissional ou de Cursos Especializados, que só tiveram de fazer Provas de Aptidão Profissional para terminar o seu ciclo de estudos — que pretenda candidatar-se ao Ensino Superior público ou privado tem de realizar os exames nacionais exigidos como provas de ingresso pelas instituições onde se candidata.5. Em que anos se fazem os exames nacionais?Os exames realizam-se no final do ano letivo em que a disciplina termina. Isto significa que no 11.º ano se realizam as provas das disciplinas bienais, como Física e Química A ou Geografia A, enquanto no 12.º ano têm lugar os exames das disciplinas trienais, como Português ou Matemática A. Como é necessário fazer três exames para conclusão do Secundário, o aluno deve planear com antecedência em que anos letivos fará cada uma das provas escolhidas.6. Quando decorrem os exames nacionais de 2025/26A 1.ª fase deste ano letivo decorrem entre os dias 16 e 26 de junho, sendo que a prova de Português do 12.º ano inaugura o calendário logo às 9h30 do primeiro. À mesma hora do dia 23 de junho será a vez de Matemática dos 11.º e 12.º anos, enquanto Física e Química do 11.º decorrerá na manhã do dia 25 (veja o calendário abaixo).. 7. Quantos exames são obrigatórios para concluir o secundário?Para obter o diploma do Ensino Secundário, o aluno do ensino regular precisa de realizar apenas três exames nacionais. O de Português, no 12.º ano, é o único exame obrigatório para todos. A estes somam-se dois exames à escolha do estudante, que devem ser selecionados entre as disciplinas da sua formação específica, podendo ser bienais do 11.º ano ou a trienal do 12.º ano.8. Qual é o novo peso dos exames na nota final de cada disciplina?Desde o ano letivo passado (2024/2025), o exame nacional passou a valer 25% da classificação final da disciplina, enquanto a avaliação interna, ou seja, as notas dadas pela escola ao longo do ano, vale 75%. Esta alteração pretende dar mais importância ao trabalho consistente dos alunos durante os dois ou três anos da disciplina, reduzindo o impacto que um eventual "mau dia" de exame pudesse ter no passado.9. Como é que se calcula a média final do Secundário com os novos "pesos"?As disciplinas já não valem todas o mesmo para a média final. O cálculo é agora proporcional à duração da disciplina, seguindo uma lógica de pesos: as disciplinas trienais têm peso 3, as bienais têm peso 2 e as disciplinas anuais, como as opções de 12.º ano, têm peso 1.10. Os exames para concluir o Secundário são os mesmos para entrar na universidade?Podem ser, mas as funções são distintas. Um exame pode ser usado para conclusão de curso e, simultaneamente, servir como prova de ingresso para o Ensino Superior. No entanto, o peso do exame para o acesso à universidade é definido pela Instituição de Ensino Superior, variando normalmente entre 35% a 50%, e não se confunde com os 25% que contam para a nota da escola.11. Posso fazer exames que não contam para a nota da escola, apenas para entrar na faculdade?Sim. Se um aluno já tiver a disciplina concluída ou se a disciplina não exigir exame para conclusão, pode realizar o exame nacional apenas com o objetivo de o utilizar como prova de ingresso para o concurso de acesso ao Ensino Superior.12. Quais são os erros mais comuns cometidos pelos estudantes?Um dos erros mais frequentes é fazer exames no 11.º ano sem pensar na conclusão do curso, uma vez que notas baixas podem afetar a média de forma irreversível. Outra falha comum é ignorar os pré-requisitos universitários, focando-se apenas em passar no Secundário e esquecendo que o curso pretendido pode exigir uma prova de ingresso específica. Por fim, muitos alunos ainda descuram a avaliação contínua, não percebendo que, com a nota interna a valer 75%, o trabalho diário é agora o fator decisivo.