Portugueses detidos por Israel estão "bem de saúde, mas bastante marcados"

Portugueses detidos por Israel estão "bem de saúde, mas bastante marcados"

O ministro dos Negócios Estrangeiros confirma que os dois médicos partem de Istambul bem cedo na sexta-feira de regresso a Portugal.
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Os dois portugueses que integravam a flotilha Global Sumud e que foram detidos na segunda-feira pelas autoridades israelitas “estão bem de saúde”, mas “bastante marcados pela situação”, segundo avançou esta quinta-feira, 21 de maio, o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Em declarações à Lusa, Paulo Rangel confirmou que os dois ativistas, ambos médicos, Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias, estavam ao início da tarde a viajar para Istambul, na Turquia, de onde partem na sexta-feira para regressar a Portugal.

“Eles estão bem, embora obviamente bastante marcados pela situação vivida nos últimos dias, em particular ontem [quarta-feira], mas estão de saúde bem”, disse o chefe da diplomacia portuguesa.

Rangel adiantou que a embaixadora e o cônsul portugueses em Telavive procuraram falar com os cidadãos nacionais à saída do centro de detenção em Israel, mas foram impedidos pelas autoridades israelitas, o que motivou um protesto de Portugal.

“As autoridades israelitas invocaram que a necessidade de dar rapidez à deportação implicava que não houvesse esse contacto. Nós fizemos um protesto”, adiantou.

Mais tarde, já no aeroporto, o cônsul português conseguiu falar com os dois ativistas.

O ministro referiu que as famílias dos dois cidadãos já foram contactadas e que a embaixadora portuguesa na Turquia e o seu número dois “estarão à espera dos portugueses em Istambul e vão acompanhá-los até que amanhã [sexta-feira] eles embarquem de manhã bastante cedo para Portugal”.

“O Governo está a acompanhar a par e passo tudo isto”, afirmou Paulo Rangel.

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Portugueses detidos por Israel na flotilha regressam a Portugal vindos da Turquia

Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou à Lusa que tinha convocado o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção dos ativistas, “em violação do direito internacional”, por ter ocorrido em águas internacionais.

As Forças Armadas de Israel realizaram, entre segunda e terça-feira, a interceção em águas internacionais dos cerca de 50 barcos da flotilha humanitária, que tentavam chegar à Faixa de Gaza com cerca de 430 ativistas a bordo.

As autoridades israelitas anunciaram que os ativistas começaram a ser deportados esta quinta-feira.

Esta detenção está a ser marcada pelas imagens polémicas do ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, a humilhar dezenas de ativistas, o que motivou protestos de várias capitais europeias.

A União Europeia (UE) classificou como "completamente inaceitável" o tratamento dado aos ativistas da flotilha para Gaza detidos por Israel.

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Onda de indignação após ministro israelita liderar humilhação a ativistas da flotilha que iria para Gaza

Flotilha denuncia “violência física e sexual generalizada” contra ativistas

A Flotilha Global Sumud denunciou esta quinta-feira agressões sexuais e ferimentos resultantes de violência física contra ativistas detidos pelas autoridades israelitas, após intercetarem em águas internacionais os dez barcos da mais recente missão humanitária para Gaza.

Numa conferência de imprensa virtual, o porta-voz da organização, Bader Alnoaimi, detalhou a situação em que se encontram os ativistas, referindo que as informações provenientes do terreno apontam para “violência física e sexual generalizada e sistemática” perpetrada por Israel contra os participantes na flotilha.

“Foram reportados vários ferimentos, alguns suficientemente graves para exigir hospitalização, e sabemos também, desde o momento da interceção, que pelo menos três participantes ficaram feridos em consequência do uso de armas não-letais disparadas contra os seus barcos durante a interceção”, no mar Mediterrâneo, afirmou.

A Flotilha Global Sumud denunciou a operação de abordagem israelita e “o sequestro” dos ativistas, sublinhando que, nesta operação, seis barcos foram atingidos por fogo israelita e um foi abalroado por uma embarcação militar.

Como próximos passos, Alnoaimi disse que a organização iniciou processos judiciais em vários países, entre os quais Turquia, Polónia, Marrocos, Itália, Indonésia, Espanha e França.

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