Portugal foi o país escolhido pela Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) para receber um reforço de meios humanos e recursos tecnológicos destinados ao controlo das fronteiras. O grupo, denominado “Contingente 5”, foi apresentado esta tarde, 24 de junho, em Lisboa. Em atuação conjunta com Espanha, integra 300 profissionais, entre agentes da Frontex e especialistas.Em Portugal, o foco estará nos aeroportos. Os agentes irão apoiar o controlo de passageiros e a verificação dos documentos de viagem. Para este efeito, estarão disponíveis 60 profissionais. As operações decorrerão não só em Lisboa, mas também nos aeroportos de Faro, Ponta Delgada e Funchal.O elevado fluxo de passageiros nos aeroportos nacionais, sobretudo em Lisboa, foi uma das razões para a escolha de Portugal para acolher o “Contingente 5”. As autoridades destacaram o grande número de viajantes provenientes da América Latina e de África. O mesmo acontece em Espanha. “A Península Ibérica é uma porta de entrada fundamental para a Europa, ligando a União Europeia ao Norte de África, à região do Atlântico e às principais rotas internacionais de viagem”, destaca a Frontex..Outro fator decisivo é a entrada em vigor do Pacto para as Migrações e o Asilo, que representa “um desafio para os Estados-membros”, nas palavras de Hans Leijtens, diretor-executivo da Frontex. Para o ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, “a prevenção não é apenas reação; é prevenir e evitar partidas irregulares”.Em Espanha, uma das ações será a operação “Canary”, com 80 profissionais e apoio na gestão dos fluxos migratórios na rota atlântica para as Ilhas Canárias. O foco estará na “gestão da imigração, apoio a atividades de triagem e entrevistas iniciais, recolha de informações e identificação de tendências e rotas de tráfico de migrantes”. O vizinho de Portugal possui uma situação diferente, por receber diretamente migrantes no Norte de África, através das ilhas Canárias.Em conjunto, com mais 80 agentes, será efetuada a operação “Indalo”, no Mediterrâneo Ocidental. A operação centra-se na vigilância marítima e aérea, na prevenção de passagens irregulares de fronteira e no apoio a operações de busca e salvamento. Inclui também o apoio a atividades de triagem e entrevistas iniciais, o combate a redes de criminalidade transfronteiriça e a recolha de informações para reforçar a segurança e a gestão eficaz das fronteiras.“Humanismo”Hans Leijtens garantiu que todas as ações serão pautadas pelo “humanismo”, culpabilizando as redes de tráfico e não as pessoas que buscam outro lugar para morar. Luís Neves, ministro da Administração Interna, reforçou este aspeto. “O cidadão imigrante, se estiver regulado e se estiver documentado, fica mais defendido de todos aqueles que os querem explorar, sobretudo do tráfico de seres humanos”, disse..O mesmo subscreveu o homólogo espanhol, que defende a necessidade de imigrantes, mas de forma regular: “Combater a migração irregular é uma política de Espanha, mas, ao mesmo tempo, também o é promover uma migração legal, segura e ordenada, porque precisamos de pessoas que venham viver connosco, trabalhar connosco e contribuir para a construção da sociedade”. Segundo Fernando Grande-Marlaska, não são políticas que se opõem. “Uma coisa não exclui a outra. Quando falamos de uma política migratória integral, falamos de combater a migração irregular, salvar vidas, combater e desmantelar redes de tráfico de seres humanos, mas também, evidentemente, promover e trabalhar por uma migração legal, segura e ordenada”, explicou..Garantias sobre LisboaQuestionado sobre o aeroporto de Lisboa, Luís Neves garantiu que a situação está melhor. “O que eu estou a garantir, a todos, é que aquilo que nós vimos no passado pode acontecer um dia ou outro. Estamos sempre dependentes da tecnologia, por isso sabemos que pode acontecer uma coisa ou outra. Mas, tendencialmente, a operação, apesar de maior pressão, vai correr bem”, afirmou. . Hans Leijtens minimizou os problemas. “Quer voe de Varsóvia, quer de Schiphol, tudo está sobrelotado. Penso que isso é, por um lado, uma boa notícia, porque significa que temos muitos visitantes. E creio que isso é importante para a economia de Portugal, para a de Espanha e para a europeia. Temos de saber lidar com essa realidade. E estou bastante certo de que conseguiremos”, apontou.amanda.lima@dn.pt.Frontex inaugura novo contingente em Portugal para proteção das fronteiras com 300 agentes.MAI anuncia reforço de 340 operacionais nos aeroportos a partir de 4 de julho