Portugal e sete outros países da União Europeia (UE), com a Suíça, pediram à Comissão Europeia que permita prolongar a suspensão temporária, além de setembro, do sistema de Entrada/Saída das fronteiras externas do espaço comunitário, numa altura de pressão.“O fim previsto do mecanismo de suspensão parcial, em 06 de setembro, é motivo de séria e legítima preocupação, partilhada não apenas por vários Estados-membros, independentemente do seu nível de preparação, mas também por todo o setor dos transportes”, escreve o ministro da Administração Interna de Portugal, Luís Neves, e os seus homólogos de oito países (Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos e Suíça) numa carta enviada ao comissário europeu dos Assuntos Internos, Magnus Brunner.Na missiva, a que a agência Lusa teve acesso esta quinta-feira, 9 de julho, os governantes pedem que, “tendo em conta as preocupações manifestadas por todas as partes interessadas e o potencial impacto na ordem pública decorrente destas circunstâncias excecionais”, a Comissão Europeia prorrogue tal mecanismo, que prevê que, em caso de falhas técnicas do sistema, os Estados-membros possam recorrer temporariamente a procedimentos alternativos como registo manual e carimbos no passaporte até à reposição do funcionamento normal.“Acolheríamos favoravelmente que a Comissão fornecesse, antes de 06 de setembro de 2026, garantias escritas concretas relativamente a esta flexibilidade específica”, indica Luís Neves e os seus homólogos.Na carta, Portugal e os restantes países asseguram que continuam “plenamente comprometidos com a implementação integral do Sistema de Entrada/Saída, que é essencial para melhorar a gestão das fronteiras e reforçar a segurança do espaço Schengen”.“Reafirmamos esse compromisso sem qualquer reserva”, garantem os ministros europeus, admitindo porém “importantes lições” dos primeiros oito meses de implementação do sistema fronteiriço.“A experiência adquirida até à data demonstrou que podem surgir dificuldades significativas em circunstâncias excecionais e esses riscos não devem ser subestimados”, lê-se na carta.Em Portugal, nos últimos meses, vários passageiros denunciaram tempos de espera prolongados nos controlos de fronteira dos aeroportos nacionais, sobretudo em Lisboa, situação associada à implementação do sistema e à insuficiência de meios humanos e tecnológicos.O Governo anunciou, entretanto, um reforço de agentes, novos postos de controlo documental e mais portas eletrónicas de passagem (e-gates) nos principais aeroportos nacionais, medidas destinadas a reduzir os tempos de espera durante o período de maior afluência turística.Esses “progressos significativos” são referidos na carta, na qual se defende a manutenção desta “flexibilidade limitada no tempo e de caráter excecional para recorrer ao mecanismo de suspensão parcial”, que apenas será usada “quando for necessária e devidamente justificada”.O SES é um sistema digital para registar eletronicamente a entrada e saída de cidadãos de países terceiros no espaço de livre circulação Schengen, substituindo os carimbos manuais por registos biométricos e digitais.Entrou plenamente em funcionamento em abril de 2026 e foi lançado em outubro de 2025.A posição surge numa altura de maior pressão dado o aumento do fluxo de passageiros durante o verão.Associações representativas de companhias aéreas e aeroportos europeus já vieram pedir ao executivo comunitário a suspensão do novo sistema de controlo de fronteiras da UE durante o verão devido à “pressão insustentável”.Em resposta a estas associações, o comissário europeu da tutela assegurou, sem especificar, que a Comissão Europeia “vai agora redobrar os esforços para ajudar os Estados-membros que continuam a enfrentar dificuldades”..Bruxelas reage às queixas da aviação e convoca reunião sobre filas nos aeroportos europeus.Setor aéreo europeu pressiona Bruxelas a suspender novo sistema de fronteiras no verão