As companhias aéreas e aeroportos europeus pediram esta quarta-feira, 1 de julho, à Comissão Europeia a suspensão do novo sistema de controlo de fronteiras da UE durante o verão, alegando que a medida está a provocar esperas de até cinco horas nos aeroportos.Numa carta dirigida à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Conselho Internacional de Aeroportos (ACI), a Airlines for Europe (A4E) e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, em inglês) denunciaram a “pressão insustentável” que afirmam estar a enfrentar devido à aplicação integral do novo Sistema de Entrada-Saída (SES) das fronteiras externas da União Europeia (UE). “Desde a implementação total do SES em abril, os tempos de espera nos controlos fronteiriços aumentaram significativamente, chegando agora a atingir até cinco horas durante os períodos de maior tráfego. Estes atrasos estão a afetar milhões de passageiros que entram no espaço Schengen", lê-se na carta enviada ao executivo europeu.O mecanismo que permite o registo automático da passagem de pessoas deveria ter sido implementado inicialmente, o mais tardar, em novembro do ano passado, mas Bruxelas concedeu uma prorrogação até abril de 2026, tendo em conta o atraso por parte dos aeroportos e das autoridades nacionais na implementação do sistema.Em comunicado, as companhias aéreas e os aeroportos reconhecem o “papel vital” do novo sistema - baseado na recolha automática de dados biométricos dos cidadãos não europeus que entram e saem da UE - e defendem que têm trabalhado em estreita colaboração com Bruxelas e investido significativamente em meios e pessoal para se prepararem.No entanto, alertam que se chegou a um “momento crítico”, uma vez que a implementação do modelo está a provocar “graves consequências operacionais, com transtornos para os passageiros, e a colocar as autoridades, os aeroportos e as companhias aéreas sob uma pressão insustentável” e, por isso, exigem uma “intervenção imediata” antes que a situação se agrave ainda mais devido ao pico de tráfego previsto para a época de verão.Nestas circunstâncias, exigem à Comissão Europeia, liderada por Von der Leyen, duas linhas de ação urgentes: a primeira destina-se a conceder aos Estados-Membros a “flexibilidade necessária” para poderem “suspender completamente o sistema SES de forma preventiva” caso o fluxo de passageiros exceda a capacidade operacional das infraestruturas “pelo menos durante julho e agosto”.Em segundo lugar, as companhias aéreas e os aeroportos apelam a Bruxelas para que conceba, em colaboração com as autoridades e o setor, um “mecanismo permanente de flexibilidade operacional” que permita às autoridades fronteiriças suspender o controlo digitalizado em situações “excecionais claramente definidas”, com o objetivo de garantir uma gestão “eficiente e centrada no passageiro”.Este mecanismo, acrescentam, deverá estar pronto antes do mês de setembro.No entanto, os signatários da carta enviada a Bruxelas afirmam que as suas exigências “não implicam a ausência de controlo fronteiriço”, mas que seja permitido regressar ao sistema tradicional padronizado para o espaço Schengen, que inclui o carimbo nos passaportes, quando a suspensão do SES for “necessária e justificada” devido a um elevado fluxo de passageiros ou a dificuldades técnicas no controlo.Além disso, defendem que a flexibilidade para suspender o novo modelo deverá ser possível a médio prazo, até que se assegure que as infraestruturas dispõem de pessoal suficiente e que tenham sido totalmente implementadas em todos os aeroportos europeus as máquinas onde o próprio passageiro pode efetuar o controlo de forma automática. .Ministro Luís Neves espera que "não haja caos" este verão nos aeroportos portugueses.Portugal pode suspender registos biométricos nos aeroportos se necessário. Tempo de espera baixou, diz Governo.Agências de viagens temem impacto de crise nos aeroportos em mercados não Schengen