Portugal adquiriu mais dois satélites de Radar de Abertura Sintética (SAR), permitindo à Força Aérea Portuguesa (FAP) o reforço da monitorização do Atlântico a partir do espaço, foi esta quarta-feira, 17 de junho, divulgado. A aquisição dos dois satélites SAR foi feita à ICEYE, fabricante finlandesa especializada em "inteligência soberana a partir do espaço", sendo o contrato celebrado pela CTI Aeroespacial, uma joint-venture entre a Força Aérea Portuguesa e a CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento). Com esta nova aquisição, o ramo das Forças Armadas passa a operar quatro satélites SAR, o primeiro dos quais foi lançado em março de 2026, estando em funcionamento a apoiar as operações nacionais, explica a fabricante finlandesa. Já a 3 de maio, foi anunciado o lançamento do segundo satélite SAR. O CA-02 passou a integrar a Constelação do Atlântico, "um passo decisivo no reforço das capacidades de Portugal no domínio espacial", disse, na altura, a Força Aérea Portuguesa. . De acordo com a ICEYE, os dois novos aparelhos foram alvo de inspeção por militares portugueses nas instalações de produção do fabricante, na Finlândia, "confirmando a sua prontidão antes da entrega".Agora com quatro satélites, "a FAP pode atribuir missões e recolher dados mais rapidamente, transformando os seus recursos espaciais soberanos numa constelação de alta velocidade para o domínio marítimo do Atlântico e da Zona Económica Exclusiva (ZEE)", destaca a empresa finlandesa, em comunicado.Para o chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, "esta mais recente aquisição reforça a liberdade de ação de Portugal". "A capacidade SAR alargada melhora a prontidão para missões de defesa e segurança, ao mesmo tempo que apoia ambições nacionais mais amplas, incluindo a monitorização ambiental e a salvaguarda dos recursos naturais", explica o general Sérgio da Costa Pereira, citado na nota. "Quem vê com clareza age mais rapidamente e Portugal está a construir a capacidade soberana para o fazer", afirmou, por sua vez, Jordi Laguarda, vice-presidente de Missões para Espanha e Portugal na ICEYE. "Esta constelação alargada proporciona à FAP as taxas de revisitação e os tempos de resposta que as missões modernas de defesa e proteção civil exigem. Informações de inteligência espaciais, operacionais à velocidade dos acontecimentos do mundo real", detalhou o responsável. De referir que os satélites de Radar de Abertura Sintética (SAR) oferecem "capacidades únicas, ao permitir a observação da Terra em todas as condições meteorológicas, de dia e de noite", como já explicou a Força Aérea Portuguesa. Podem "funcionar mesmo com nuvens, fumo ou mau tempo" e, assim, "garantir uma vigilância contínua e fiável". Entre as valências que esta tecnologia (SAR) pode proporcionar, incluem-se por exemplo: "monitorizar o território, o mar e o espaço aéreo", "apoiar operações de busca e salvamento e resposta a emergências", "vigiar a nossa Zona Económica Exclusiva e recursos naturais", assim como "acompanhar fenómenos como incêndios ou catástrofes naturais".Segundo a ICEYE, a "Europa não pode defender o que não consegue ver" e, nesse sentido, defende que "em toda a Europa, a inteligência espacial passou de um investimento estratégico a longo prazo para uma necessidade operacional, e o momento de agir é agora".A fabricante finlandesa anunciou ainda que, no âmbito de um financiamento da Série F, está a acelerar o fornecimento de "sistemas completos e soberanos de inteligência" espacial a sete países europeus, incluindo Portugal. .Constelação Atlântico. Primeiro satélite SAR adquirido pela Força Aérea vai ser lançado no início de maio