O Patriarca de Lisboa, Rui Valério, reagiu às críticas dirigidas ao papa Leão XIV por Donald Trump e outros elementos da administração norte-americana, sublinhando que “a Igreja não é uma instituição política”, “não tem fins políticos” e “não é de esquerda nem de direita”. Em declarações ao DN, o Patriarca reforçou a ideia de que a missão da Igreja assenta “na presença de Cristo”, que lhe confia o dever de “anunciar o Evangelho, promover a paz e a justiça”, com base “no mandamento essencial do amor, inclusive aos inimigos”, para concluir: “Tudo o que a Igreja diz e faz deve ser entendido nesse contexto”, advertindo que não compreender isso “pode significar uma tentativa de manipular a Igreja ou de a reduzir, ignorando a sua verdadeira dimensão espiritual e missionária”.A propósito dos ataques ao papa Leão XIV por parte de responsáveis da administração dos Estados Unidos, de Trump ao vice-presidente J.D. Vance, acrescentou: “Provavelmente, e digo-o sem arrogância, a administração norte-americana não tem dado a devida atenção à passagem do Evangelho em que Jesus diz claramente: ‘Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.’”Quanto à firmeza de Leão XIV, Rui Valério considerou que ela decorre “da assistência do Espírito Santo”, mas também da própria identidade cristã. “O cristão é alguém embebido da presença e do auxílio de Deus e, por isso, não tem medo de nenhum adversário. De nenhum mesmo”, afirmou, acrescentando: “É nesse sentido que entendo a determinação do papa.”O Patriarca lamentou particularmente as recentes declarações do vice-presidente J.D. Vance. “Lamento imenso que assim seja, porque um cristão não pode falar dessa maneira de nenhum homem, e muito menos do Santo Padre”, disse.Sobre o papel do papa, afirmou que está “investido de uma missão única” e que é “uma referência não apenas para os católicos ou para os cristãos, mas para toda a humanidade”, acrescentando tratar-se de “uma das grandes referências do nosso tempo, para biliões de pessoas que nele encontram esperança para enfrentar as adversidades do dia a dia”.Comparando a postura do papa com a dos seus críticos, Rui Valério lembrou que Leão XIV "vive e caminha num nível de profundidade espiritual e humana muito elevado”, enquanto “talvez outros vivam mais à superfície, mais envolvidos pela espuma dos dias”.Já a imagem gerada por inteligência artificial que associava Donald Trump a Jesus Cristo, a qual garante não ter visto, merece um único comentário do cardeal patriarca de Lisboa -- “Não vi, sinceramente. Só faço um comentário: Salvador só há um, Jesus Cristo, e mais nenhum.”.“Não tenho medo da administração Trump”. Leão XIV responde a ataques do presidente dos EUA.Um papa é um papa, e este é americano