A juventude precisa de pensar nos temas da Defesa. Esta é a conclusão de dois investigadores na área, ouvidos pelo DN na “Conferência Internacional | 25 anos de Cooperação de Defesa na CPLP: O Papel do Brasil e de Portugal”. O evento ocorreu esta terça-feira (17 de março), na Universidade Autónoma de Lisboa.“Nós passámos por 30 anos em que a humanidade se convenceu de que a guerra era uma coisa do passado. Em que, pese embora muitas estivessem a ocorrer, eram pouco visíveis nos media”, começa por dizer André Panno Beirão, capitão-de-mar-e-guerra.Segundo o docente, da Escola de Guerra Naval do Brasil, este sentimento é ainda mais presente em países como Portugal ou mesmo o Brasil, que não estão envolvidos em guerra. “Isso ocorre, em especial, nos países mais estáveis, que achavam que isso não era necessário, que já não era preciso pensar nisso. Pensar em defesa, pensar em estratégia, pensar em armamento, pensar em mobilização”, frisa. No entanto, acontecimentos dos últimos anos fizeram com que o cenário mudasse. “Vimos que, de repente, isso está mais próximo do que imaginamos, nos últimos cinco anos, como nos últimos dois anos com a Ucrânia, agora com o Irão e próximo do Brasil, com a Venezuela”, complementa. Na visão do professor, “o jovem precisa de voltar a pensar na defesa de uma forma mais ampla, com um enorme desafio da tecnologia a chegar”, afirma.O professor Luís Manuel Brás Bernardino, da Universidade Autónoma de Lisboa, concorda. “É preciso partilhar junto dos jovens e envolver os jovens nessa dinâmica global, para cada vez mais saberem o mundo em que estão, o mundo que os rodeia, a questão da defesa, da segurança, do desenvolvimento, da economia”, diz. .De acordo com Bernardino, a universidade tem uma missão importante neste sentido. “A universidade, enquanto área académica, é uma área que procura, efetivamente, trazer esse conhecimento transversal à sociedade”, cita. E ambos os docentes também concordam que este conhecimento não pode ficar restrito. “No caso do Brasil, muitos dos nossos estudos e produtos chegam, efetivamente, à esfera central do governo. A recém-aprovada política marítima nacional foi germinada nos corredores da Escola de Guerra, levando a sociedade civil a discutir ali dentro e depois expandindo para discussão com todos os ministérios e com a sociedade”, conta.Para Bernardino “a área académica é uma área que procura, efetivamente, trazer esse conhecimento transversal à sociedade, procura partilhar junto dos jovens e envolver os jovens nessa dinâmica global”, explica o professor . E afirma também que o objetivo, no fim, é “todos termos um mundo melhor” e, por isso, é necessário estimular a cooperação. A conferência realizada ontem também marcou a assinatura de um memorando de entendimento com a Escola de Guerra Naval do Brasil. O documento prevê o intercâmbio de estudantes, docentes e colaboração em termos de participação em eventos, conferências, seminários e aulas abertas. “Nós temos investigadores interessados em conhecer a perspetiva europeia, em especial a portuguesa, por ser a mais próxima e o principal elo que temos. E temos procurado aumentar os nossos laços de cooperação entre os dois países”, celebra o capitão brasileiro.Deste lado, a universidade já recebe estudantes, com a expectativa de aumentar este número. “O protocolo prevê também a participação em projetos de investigação conjuntos e a possibilidade de recebermos aqui - aliás, já recebemos - alunos do Brasil para fazer programas connosco, e essa é a nossa expectativa”, ressalva Luís Manuel Brás Bernardino, que é presença frequente em eventos no Brasil nesta matéria. Foi numa dessas visitas que o memorando começou a ser pensado. Para André Panno Beirão, este é um caminho natural, pela ligação histórica entre o Brasil e Portugal. Já os dois principais temas que unem os países são a segurança do Atlântico e a geopolítica global.amanda.lima@dn.ptdn..Atrair jovens para as Forças Armadas: o que se faz lá fora e o que falta testar em Portugal.Conselho de Ministros aprovou plano da Defesa para financiamento europeu de 5,8 mil milhões nas Forças Armadas