A Ordem dos Médicos critica as “sucessivas” mudanças nas direções clínicos e nos conselhos de administração das Unidades Locais de Saúde do Serviço Nacional de Saúde (ULS-SNS). De acordo com os números de que dispõe, a Ordem refere que desde o início de 2024, altura em que entrou em vigor a lei da criação das ULS, foram substituídos 50 diretores clínicos, “um número que merece uma reflexão séria”. Em comunicado enviado pela Ordem na tarde desta sexta-feira, dia 12, aos órgãos de comunicação social, o bastonário Carlos Cortes argumenta mesmo que “as dificuldades do SNS não se resolvem com mudanças sucessivas de nomes, nem com respostas imediatistas. Superam-se com médicos em número suficiente, equipas completas e estáveis, autonomia técnica, boa organização e condições de trabalho que permitam fixar profissionais no Serviço Nacional de Saúde. E sobretudo valorizando as pessoas”Segundo é explicado, as mudanças sucessivas só prejudicam a “estabilidade” do serviço, já que “as direções clínicas e os conselhos de administração, no seu conjunto, são peças essenciais para garantir organização, continuidade e segurança no SNS”, sobretudo “em unidades pressionadas pela falta de médicos e outros profissionais, pelas listas de espera e por dificuldades estruturais de resposta”. Para a Ordem, “a substituição frequente destas lideranças não ajuda à estabilidade das ULS nem ao bom funcionamento do SNS”, precisando o serviço público de “previsibilidade, de equipas estáveis e de valorizar quem assume responsabilidades de direção em contextos particularmente exigentes”.O bastonário Carlos Cortes reforça a tecla da "estabilidade" para o SNS, que, diz, "precisa de valorizar quem se dedica diariamente a fazê-lo funcionar, sobretudo quem assume cargos de direção num contexto de grande exigência e de profundas dificuldades estruturais”. Por isso, defende que “deve existir avaliação, transparência e responsabilização. Mas responsabilizar não pode significar simplificar problemas estruturais, transformando-os em culpa individual de quem está no terreno”.No mesmo documento, o representante da classe assume ainda que “todos conhecem as enormes dificuldades do SNS e sabem que conselhos de administração, direções clínicas, médicos e restantes profissionais trabalham todos os dias, muitas vezes no limite, para garantir cuidados aos cidadãos”.A Ordem sublinha, neste comunicado, que “a Saúde exige responsabilidade, serenidade e foco no essencial: garantir a cada cidadão cuidados de qualidade, no tempo certo, com equipas estáveis e profissionais respeitados. Cuidar do SNS é também cuidar de quem o lidera e de quem todos os dias o mantém a funcionar.”.Xavier Barreto: “Até maio, as Unidades Locais de Saúde não tinham sequer objetivos fixados pela tutela".Governo nomeia enfermeiro especialista em Saúde Mental e Psiquiatria para presidir à ULS Aveiro .Ordem dos Médicos envia carta à ministra a exigir que centros de referência sejam prioridade do SNS