O tribunal que está a julgar José Sócrates pediu esta terça-feira, 17 de março, esclarecimentos à Ordem dos Advogados sobre a nomeação de um advogado oficioso, Luís Carlos Esteves, para representar o antigo primeiro-ministro, determinando que o julgamento prosseguirá com um outro advogado oficioso de escala.A decisão do coletivo de juízes presidido por Susana Seca surgiu depois de os advogados de outros arguidos no processo Operação Marquês terem posto em causa a legitimidade do Conselho Geral da Ordem dos Advogados para designar um defensor para o ex-governante."Estando esta situação pendente de esclarecimento, entende-se ser por ora de determinar que o prosseguimento do julgamento ocorrerá com nomeação de defensor de escala para o arguido José Sócrates a partir das 14:30", ordenou o tribunal, num despacho proferido a encerrar a sessão desta terça-feira de manhã.Sócrates escolhe advogado da ex-mulherNo entanto, há um outro advogado metido nesta equação depois de ter ficado a saber-se que José Sócrates convidou Filipe Batista, advogado da sua ex-mulher, Sofia Fava, para ser o seu novo defensor. O coletivo de juízas optou por não se pronunciar ainda sobre a disponibilidade manifestada pelo mandatário de Sofia Fava para assegurar a defesa do chefe de Governo entre 2005 e 2011 a pedido deste, caso lhe sejam concedidos 10 dias para se inteirar do processo, o prazo que o tribunal tem dado aos restantes defensores nomeados.José Sócrates tem até quarta-feira para escolher um advogado, depois de os últimos três nomeados por si, e não pelo Estado, terem renunciado à sua defesa, em desacordo com o coletivo de juízes. Recorde-se que Sócrates já escolheu ser representado por João Araújo, que morreu no decorrer do processo, Pedro Delille, José Preto e Sara Leitão Moreira.O último advogado oficioso do ex-governante, Marco António Amaro, tinha sido nomeado por sorteio pelo Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados e os anteriores encontravam-se de escala no Tribunal Central Criminal de Lisboa quando foram chamados ao processo.O julgamento retomou esta terça-feira ao fim de três semanas de interrupção e a previsão é de que, durante cerca de 20 sessões, sejam ouvidas declarações gravadas noutras fases do processo, de modo a que futuros advogados do antigo primeiro-ministro tenham tempo para preparar a defesa sem que os trabalhos sejam suspensos.As vicissitudes originadas pela nomeação de Luís Carlos Esteves acabaram por não permitir que tal ocorresse durante a manhã.José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o 'resort' algarvio de Vale do Lobo.No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo estimou o tribunal em novembro, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.O julgamento começou em 03 de julho de 2025..Marquês. Tribunal marca 20 sessões para ouvir gravações e dar tempo à defesa sem parar julgamento.Caso Sócrates. Troca de advogados é “mais comum do que se pensa”, diz Associação Sindical dos Juízes