José Sócrates já ficou quatro vezes sem defensor.
José Sócrates já ficou quatro vezes sem defensor.Foto: Leonardo Negrão

Operação Marques. OA diz que não pode obrigar defensor a ficar até final do processo

Comunicado do Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados foi enviado às redações esta tarde. São sucessivas as desistências de profissionais na defesa de José Sócrates.
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Não há na lei nada que obrigue um defensor oficioso a permanecer até ao fim do julgamento, esclareceu esta terça-feira, 3 de março, o Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados. O esclarecimento surge após a polémica envolvendo a defesa de José Sócrates na Operação Marquês.

O CR de Lisboa afirma que não possui “qualquer poder que permita vincular o defensor nomeado a assegurar a continuidade da audiência nos termos preconizados pelo Tribunal, nem garante ou confirma que o mesmo disponha de condições objetivas para uma adequada preparação da defesa no indicado prazo de dez dias”. O prazo de dez dias foi fixado pelo próprio tribunal.

No dia 27 de fevereiro, a entidade foi notificada pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa para proceder a nova nomeação. A escolha do novo defensor oficioso de José Sócrates foi realizada de forma “aleatória e automática”.

Foi nomeado o advogado Marco António Amaro, que veio substituir Sara Leitão Moreira. A profissional tinha assumido a defesa do antigo primeiro-ministro há duas semanas e renunciou ao mandato. As sucessivas desistências neste processo mediático têm sido amplamente discutidas.

O CR de Lisboa explicou a necessidade de “esclarecer publicamente os factos relativos” ao caso. De acordo com o conselho, “o CRLisboa cumpriu o seu dever procedimental de nomear defensor oficioso no processo em causa, ao abrigo da delegação de competências do Conselho Geral”.

O procedimento de escolha é realizado através da plataforma eletrónica SinOA – Sistema de Informação da Ordem dos Advogados, a partir da lista de advogados inscritos no Sistema de Acesso ao Direito e aos Tribunais (SADT). “O defensor nomeado foi devidamente notificado. Este é o procedimento regulamentar, legalmente enquadrado e aplicado de forma uniforme a todos os pedidos de nomeação de defensor oficioso”, explica.

José Sócrates já ficou quatro vezes sem defensor.
Explicador: Julgamento da Operação Marquês suspenso após nova renúncia da defesa de Sócrates. O que acontece agora?

Por fim, sublinha que todos os procedimentos são regidos pela lei. “Tais questões decorrem do regime processual vigente e não são imputáveis, em qualquer circunstância, à conduta do CRLisboa, ao qual incumbe, nos estritos termos da lei, assegurar a nomeação e a notificação do defensor designado – e apenas isso”.

A juíza presidente do caso, Susana Seca, já lamentou as “sucessivas interrupções provocadas pelas renúncias dos mandatários de José Sócrates”. O antigo primeiro-ministro já ficou sem defensor quatro vezes, sendo este o terceiro que renuncia a representá-lo.

O seu primeiro advogado foi João Araújo, que morreu em 2020, tendo ficado Pedro Delille como representante de José Sócrates. Este acabou por abandonar o processo, em novembro do ano passado, depois de criticar a forma como, no seu entender, o julgamento estava a ser conduzido. Seguiu-se José Preto, que renunciou a 13 de janeiro deste ano, depois de ter sido hospitalizado e de o tribunal ter nomeado uma advogada oficiosa para o substituir.

amanda.lima@dn.pt

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