O que se passou na sessão desta terça-feira no julgamento da Operação Marquês?No início da sessão, a advogada nomeada há cerca de duas semanas por José Sócrates anunciou que ia renunciar à defesa do antigo primeiro-ministro, que desde setembro está autorizado a não comparecer nas audiências. O que levou à suspensão do julgamento.Qual a razão apresentada para esta decisão?Sara Leitão Moreira alegou que não lhe tinha sido dado tempo suficiente para preparar a defesa do antigo líder do governo entre 2005 e 2011. Segundo explicou tinha pedido cinco meses para ficar a par do processo, mas no dia nove deste mês ter-lhe-á sido comunicado pela presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, que tinha dez dias para tal. A advogada recorreu da decisão?Sim. Segundo a agência Lusa, na passada segunda-feira (dia 23), Sara Leitão Moreira interpôs recurso da decisão, tendo ontem pedido ao tribunal que se pronuciasse sobre a admissão da contestação, ao que os juízes responderam que tal aconteceria em momento oportuno.O que se seguiu?A advogada apresentou a renúncia, justificando: “O mandato nos presentes autos foi aceite de forma, livre e consciente. […] Contudo, em momento algum foi colocada a possibilidade de o tribunal violar o direito […] ao acesso a um processo justo e equitativo”. E abandonou a sala.Este abandono tem consequências?O tribunal alertou-a de que a renúncia só seria efetiva depois de José Sócrates ser notificado, acrescentando que, como Sara Leitão Moreira deixou a sala, seria alvo de uma participação à Ordem dos Advogados para um eventual infração disciplinar.Quantos advogados já renunciaram a defender José Sócrates?Esta é a quarta vez que o antigo primeiro-ministro fica sem defensor, sendo o terceiro que renuncia a representá-lo. O seu primeiro advogado foi João Araújo, que morreu em 2020, tendo ficado Pedro Delille como representante de José Sócrates. Este acabou por abandonar o processo em novembro do ano passado depois de criticar a forma como, no seu entender, o julgamento estava a ser conduzido. Seguiu-se José Preto, que renunciou a 13 de janeiro deste ano depois de ter sido hospitalizado e o tribunal ter nomeado uma advogada oficiosa para o substituir.O que se segue?Perante esta situação, o tribunal pediu que a Ordem dos Advogados seja notificada para nomear um defensor para o antigo governante. “Uma vez que a situação de renúncias sucessivas ao mandato por parte da mesma defesa prejudica de sobremaneira a realização da justiça, a fim de assegurar a continuidade da audiência sem mais sobressaltos, entende-se justificar-se a nomeação de defensor especificamente para os presentes autos pelo tempo necessário, para garantir os direitos de defesa [de José Sócrates]”, sustentou a presidente do coletivo de juízes. Susana Seca, citada pela Lusa, acrescentou que o advogado que vier a ser designado pela Ordem terá dez dias para se inteirar do processo e sublinhou que esta terá de assegurar que “o defensor nomeado está disposto a assegurar a defesa” de Sócrates.José Sócrates tem apresentado o seu caso internacionalmente?Sim. A quatro de julho de 2025 avançou com um pedido para que o Tribunal de Justiça da União Europeia se pronuncie sobre a interpretação da lei que três juízas desembargadoras fizeram, em janeiro de 2024, quando decidiram levar o caso a julgamento.Quando começou o julgamento da Operação Marquês?A 3 de julho do ano passado. Ou seja, 13 anos depois do início da investigação, tendo a acusação sido conhecida em outubro de 2017.José Sócrates está acusado de que crimes?O antigo primeiro-ministro está a responder por 22 crimes: três de corrupção, 13 de branqueamento de capitais e seis de fraude fiscal.Quantos arguidos estão acusados?Além de José Sócrates estão no banco dos réus mais 21 arguidos. Entre eles, por exemplo, o antigo dono do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava (ambos ligados à antiga Portugal Telecom), o empresário Joaquim Barroca, do Grupo Lena, e Hélder Bataglia.Quando começou o processo?A investigação ganhou visibilidade a 21 de novembro de 2014, quando elementos da Autoridade Tributária e Aduaneira e da Polícia Judiciária foram ao aeroporto de Lisboa deter José Sócrates quando regressava de uma viagem a Paris. Nesse mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República divulgou um comunicado confirmando que mais três pessoas estavam detidas. No dia seguinte soube-se que eram o empresário Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o motorista de José Sócrates, João Perna. A investigação baseava-se em que indícios? Tudo terá começado com um relatório da Caixa Geral de Depósitos enviado à Unidade de Informação Financeira da PJ com suspeitas de branqueamento de capitais. No centro dessa comunicação estavam cerca de 20 milhões de euros que terão sido transferidos para o antigo primeiro-ministro em diversos momentos. Na acusação do Ministério Público há ainda alusões a que terá sido corrompido pelo líder do Banco Espírito Santos, Ricardo Salgado. O que foi sempre negado por Sócrates. .‘Operação Marquês’. Sócrates sabe por fim se vai a julgamento numa acusação de seis crimes.Operação Marquês. Sócrates faz queixa da justiça portuguesa na ONU