A previsão de uma onda de calor que deverá levar os termómetros a ultrapassar os 40 graus durante oito a dez dias, e que começa a entrar em território nacional já a partir desta quarta-feira, 1 de julho, levou o Ministério da Saúde a avançar com uma conferência de imprensa para explicar à população que no Serviço Nacional de Saúde (SNS) existe um Plano de Contingência para o verão, que pretende “responder antecipadamente” às situações que surgirem, e que já foi ativado pelas Unidades Locais de Saúde (ULS), sendo que a partir daqui os níveis de alerta vão sendo acionados, de acordo com a evolução da situação.A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, reafirmou, tal como já o tinha feito a ministra nesta terça-feira, que os hospitais têm ativado o nível 1 deste plano, que implica o reforço das equipas nos serviços de urgência e que os cuidados primários também estão preparados. O diretor executivo Álvaro Almeida, presente na conferência, juntamente com representantes da DGS, INSA e INEM, disse mesmo que o SNS “está preparado para responder ao aumento da procura de cuidados”.Mas, como sublinhou Ana Povo, nenhum plano de contingência ou medidas de proteção devem impedir que a própria comunidade assuma o seu papel, nomeadamente os municípios que devem articular-se com as ULS e criar condições de proteção às populações, como espaços climatizados. Esta mensagem estendeu-se também à população, famílias, vizinhos e amigos, que além de cumprirem as regras de proteção do calor devem estar atentos aos mais vulneráveis, que são crianças, idosos ou doentes crónicos, que podem descompensar. Esta vigilância é tanto mais importante porque, de acordo com as previsões do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), a mortalidade pode aumentar devido às condições climatéricas. A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, reforçou o apelo em relação ao cumprimento das regras de proteção do calor, recordando que a DGS já lançou um Guia de Proteção para o calor.Ana Povo fez mesmo questão de reforçar que, “ao contrário do que acontece com as infeções respiratórias no inverno”, que levam muitas pessoas às urgência, pressionando os cuidados de saúde, “as ondas de calor exigem uma resposta ampla e integrada que envolve toda a sociedade. A resposta mais eficaz ao calor não começa no hospital, começa muito antes e começa com a prevenção. Começa na proteção ativa das pessoas mais vulneráveis, começa na atenção que dedicamos aos nossos familiares, aos nossos vizinhos e, em particular, àqueles que vivem em situação de maior isolamento”.Aos municípios disse que o combate ao calor começa igualmente “numa ação coordenada entre estes, as instituições sociais (lares), proteção civil, forças de segurança, entidades empregadoras e, naturalmente, cada cidadão”, lembrando que a DGS tem vindo a reforçar, nos últimos dias, “a comunicação dirigida à população, divulgando de forma regular recomendações de prevenção e proteção perante as temperaturas elevadas”, havendo já “um guia dirigido a empregadores e trabalhadores com orientações para a proteção dos trabalhadores expostos ao calor”.A secretária de Estado anunciou ainda que esta manhã foi também publicado “um novo guia destinado aos municípios e às freguesias, reconhecendo o papel fundamental destas entidades na preparação, proteção e apoio às populações em estreita articulação com os restantes parceiros locais”.Neste âmbito, referiu que “as unidades locais de saúde estão a reforçar a articulação com os municípios, com as juntas freguesia, proteção civil, serviços de segurança social e instituições do setor social, identificando locais de abrigo temporário climatizados que poderão ser ativados sempre que a evolução da situação os justifique, para acolher pessoas em situação de maior vulnerabilidade”, tendo ainda sido pedido “aos municípios que identifiquem outros espaços públicos, sociais ou privados devidamente climatizados que possam funcionar como locais de permanência temporária durante os períodos de maior calor”.Ana Povo sublinhou que a resposta a esta onda de calor, que coloca a partir de amanhã, distritos como Lisboa e Setúbal, em aviso vermelho, havendo já hoje distritos do interior em alerta laranja, “está a mobilizar todo o Governo, envolvendo diferentes áreas governativas numa ação coordenada de prevenção, preparação e proteção da população”. E pediu “à população que utilize estas respostas sempre que necessário”.DGS reforça cumprimento de regras de proteção ao calorA diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, presente na conferência, aproveitou a declaração da secretária de Estado para reforçar que a DGS tem trabalhado em conjunto, durante 365 dias, com as entidades centrais, regionais e locais do Ministério da Saúde e restantes parceiros, para responder nas alturas de pico do calor ou do frio, nomeadamente com recomendações e orientações para que a saúde dos portugueses seja o menos possível afetada. A diretora-geral recordou haver no site da DGS um guia com recomendações de proteção ao calor e já outro com regras para os municípios. Nos próximos dias, anunciou, será lançado um outro documento sobre como fazer atividade física durante o calor. No entanto, lembrou também que para nos protegermos do calor é necessário ter em conta uma alimentação adequada e um reforço da hidratação.Diretor executivo diz que SNS está preparado para aumento da procura de cuidadosNo final da conferência de imprensa, o diretor-executivo do SNS, Álvaro Almeida, relembra que a melhor forma de a população ter respostas adequada às suas necessidade será através do contacto da Linha SNS24, assumindo que “todas as unidades estão devidamente preparadas para esta onda de calor”. Álvaro Almeida referiu mesmo estarem “garantidas as condições adequadas de climatização, com um especial enfoque nos serviços de urgência, internamentos e salas de espera. Portanto, estamos preparados para responder ao aumento de procura que poderá existir em função das condições climatéricas”.O diretor-executivo confirmou o que tinha sido dito pela secretária de Estado relativamente às unidades do SNS, que “já acionaram o nível 1 de risco nacional”, o qual “implica um conjunto de medidas essenciais como “adequação de horários e capacidade de resposta das consultas abertas para responder às necessidades da população”. .Distritos de Lisboa e Setúbal vão estar sob aviso vermelho amanhã. Hoje há 60 concelhos em perigo máximo de incêndio .Aviso laranja por causa do calor estende-se a todo o continente na sexta-feira