Ocorrências nas escolas sobem e crimes com armas atingem máximo de cinco anos
A PSP registou 4.075 ocorrências no último ano letivo, representando um aumento de 4,6% em relação ao ano letivo anterior, com a maioria dos ilícitos a ocorrer no interior das escolas, revela na manhã desta terça-feira, 29 de setembro, aquela polícia.
Segundo o relatório do Programa Escola Segura (PES) da PSP do ano letivo 2025/26, a que Lusa teve acesso, das 4.075 ocorrências, 2.898 foram de natureza criminal e 1.177 de natureza não criminal.
No documento, a PSP escreve que, no ano letivo 2024/25 foram registadas 3.897 ocorrências, das quais 2.791 tiveram cariz criminal e 1.106 tiveram cariz não criminal.
As ocorrências aumentaram 4,6% no último ano letivo (+178 ocorrências) devido à subida de 3,8% das ocorrências criminais (+107 ocorrências) e de 6,4% das ocorrências não criminais (+71 ocorrências), em comparação com o período homólogo.
A força de segurança refere que a proporção de ocorrências não criminais tem diminuído nos últimos cinco anos letivos, ficando abaixo da média da última década, enquanto, no ano letivo 2025/26, o número de ocorrências criminais ficou acima da média dos últimos 10 anos.
“Importa ainda salientar que o número de ocorrências de cariz criminal tem ficado acima desta média desde o ano letivo 2023/2024. Ainda nesse ano letivo, o número total de ocorrências também foi superior à média da última década, facto esse que se torna a verificar no ano letivo em análise”, lê-se no relatório.
Explicando que as ocorrências no âmbito da Escola Segura podem verificar-se dentro ou fora dos estabelecimentos de ensino ou, cumulativamente, em ambos os locais, a PSP salienta que a maioria dos ilícitos ocorreu dentro das escolas.
Segundo a PSP, 68,7% (1.992) das ocorrências criminais tiveram lugar no interior do recinto escolar e 31,3% (1.009) no exterior da escola, das quais 208 nos percursos casa-escola-casa ou nos percursos relacionados com atividades extracurriculares.
Também em relação às ocorrências não criminais, 68,6% (808) registaram-se no interior da escola e 31,4% (381) fora do estabelecimento de ensino, dos quais 68 nos percursos casa-escola-casa ou nos percursos relacionados com atividades extracurriculares.
O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP foi aquele que registou o maior número de ocorrências no último ano letivo, no total de 1.706, seguido do Comando Metropolitano do Porto (690) e do Comando Distrital de Setúbal (342).
Já os comandos distritais com menor número de ilícitos no âmbito do PES foram Évora (11), Portalegre (16) e Guarda (24).
A PSP refere ainda que na mesma ocorrência criminal podem ser verificados vários tipos de crime, tendo sido contabilizados no ano letivo 2025/26, no âmbito do PES, 3.370 crimes nos 2.898 ilícitos de cariz criminal, o que representa um aumento de 3,5% em comparação com o ano letivo transato (3.257 crimes).
Armas e ofensas corporais em máximos de cinco anos
Já em relação ao número de crimes de ofensas corporais e de armas cometidos nas escolas no último ano letivo, a PSP revelou nesta terça-feira (29), que este foi o maior dos últimos cinco anos, tendo também aumentado as ofensas sexuais e o tráfico de droga-
O relatório do Programa Escola Segura (PES) da PSP do ano letivo 2025/26 divulgado e a que Lusa teve acesso, revela que a maioria dos crimes registados no âmbito do PES está relacionada com ofensas corporais, num total de 1.426, e de injúrias e ameaças (920), tendo estas ocorrências aumentado 10,5% e 3,1%, respetivamente em relação ao ano letivo anterior.
“Dos oito tipos de crimes monitorizados, as ofensas corporais e as injúrias e ameaças têm sido os crimes predominantes nos últimos cinco anos letivos, apresentando ainda uma tendência de aumento do número de crimes a partir do ano letivo 2021/2022 (após a pandemia)”, lê-se no documento, que destaca que no ano letivo 2025/26 se registou o número mais alto de crimes de ofensas corporais dos últimos cinco anos.
Também o crime de posse e uso de armas obteve o registo mais alto dos últimos cinco anos letivos.
Segundo a PSP, no último ano letivo foram detetadas 60 armas nas escolas (3 armas de fogo, 50 armas brancas e 7 armas de outras tipologias), o que se traduz num aumento de 11,1% em relação ao ano letivo 2024/25.
No último ano letivo, a PSP detetou mais uma arma de fogo e mais sete armas brancas do que no ano anterior.
No documento de balanço do Programa Escola Segura, esta polícia salienta que “existe uma tendência crescente do número de crimes de ofensas sexuais desde o ano letivo 2023/24”, tendo registado no último ano letivo 103 crimes, o que corresponde a um aumento de 18,4% em relação ao ano letivo anterior.
Também o tráfico de droga aumentou nas escolas no último ano letivo com a PSP a detetar 22 crimes, um aumento de 69% em relação ao ano letivo 2024/25.
Em contrapartida, a Polícia de Segurança Pública registou o número mais baixo de crimes de roubo (67) dos últimos cinco anos letivos, existindo uma tendência decrescente da prevalência desta tipologia de crime desde o ano letivo 2022/2023.
A PSP registou também o número mais baixo de crimes de furto (324) desde o ano letivo 2023/2024.
A maioria dos crimes verifica-se no interior dos recintos escolares, com maior preponderância das ofensas corporais, injúrias e ameaças e furto, enquanto o roubo e o tráfico de droga ocorrem com maior frequência no exterior das escolas, de acordo com o documento.
As ocorrências relacionadas com ‘bullying’ e ‘cyberbullying’ também apresentaram um aumento. No ano letivo 2025/26 registaram-se 155 situações relacionadas com ‘bullying’ (+25 que no ano letivo anterior) e 25 relacionadas com ‘cyberbullying’ (+1 que no ano letivo anterior).
As ocorrências relacionadas com comportamentos associados aos fenómenos de ‘bullying’ e ‘cyberbullying’ apresentavam uma tendência decrescente desde o ano letivo 2022/2023, o que deixou de se verificar no último ano letivo.
A PSP registou 4.075 ocorrências no último ano letivo, representando um aumento de 4,6% em relação ao ano letivo anterior, das quais 2.898 foram de natureza criminal e 1.177 de natureza não criminal.
A maioria das situações não tipificadas como crime corresponde a perturbações de atividades escolares (508) e situações de posse/consumo de droga (49), acrescenta o relatório, representando um aumento 17,9% e de 28,9% respetivamente face ao ano letivo 2024/25.
