"Nunca os esqueceremos". Moedas inaugura memorial às vítimas do elevador da Glória após denuncia de "um ano de silêncio"
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, considerou que hoje é dia para recordar as vítimas, em declarações após a cerimónia que assinalou um ano do descarrilamento do elevador da Glória, que fez 16 mortos e 24 feridos.
“É um dia muito triste. Sera sempre um dia muito triste para Lisboa. Um dia para homenagear e mostrar a nossa solidariedade e é também um dia de gratidão. Homenagear aqueles que partiram, que já não estão entre nós, é esse o nosso dever, da nossa memória”, disse Carlos Moedas aos jornalistas, esta quinta-feira, 3 de setembro, no final da cerimónia.
Para o autarca, não se pode esquecer “nunca nenhum dos nomes” dos que perderam as suas vidas no acidente de 03 de setembro de 2025.
Carlos Moedas frisou que não se pode “nunca esquecer aquilo que eles eram, aquilo que eles fizeram, as pessoas que eram, esse [é um] dever de memória. É o dever que os lisboetas têm perante esta tragédia”, salientou. Para o autarca, este é também um "dia de silidariedade para com as famílias", que passam a ter "um espaço digno, único, simples, mas que, ao mesmo tempo, representa os seus entes queridos". "Nunca os esqueceremos", rematou.
Moedas recusou contudo comentar a carta aberta escrita por familiares de vítimas, divulgada na quarta-feira pela RTP, na qual estes se queixam de falta de apoios e denunciam "um ano de silêncio e esquecimento". Dizem inclusivamente que o único contacto que tiveram da parte da autarquia de Lisboa foi o convite para marcar presença na cerimónia de inauguração do memorial em que se garantia o respeito pela privacidade sem a presença de jornalistas.
“Depois de um ano de silêncio, o que precisámos não era de sermos protegidos do debate, era finalmente fazer parte dele”, afirmam os subscritores.
“Não me levem a mal. Eu penso que hoje é um momento… E não me levem a mal, eu percebo as perguntas (…) as respostas têm sido dadas. A Câmara esteve sempre presente, está presente e estará sempre presente”, disse o presidente da CML, que chegou ao Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, acompanhado do patriarca de Lisboa, Rui Valério, quando a maioria dos familiares das vítimas já se encontrava no local.
Ambos cumprimentarem os familiares, que se encontravam de um dos lados da oliveira, um pouco resguardados das câmaras dos jornalistas, e visivelmente emocionados.
Foram depositadas várias coroas de flores, na maioria brancas, mas havia também uma com as cores da bandeira francesa, nacionalidade de uma das vítimas.
Rui Valério fez uma pequena oração, abençoou a oliveira e lembrou aos presentes que “o passar dos dias não apaga as ausências”.
Fez-se depois um minuto de silêncio.
No final, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa abraçou familiares das vítimas, tendo em conta que quatro dos portugueses mortos eram funcionários da instituição.
No largo foi colocada uma oliveira de 150 anos e 16 blocos em calcário assinalam o aniversario sobre o descarrilamento na Glória que fez 16 mortos e 24 feridos de 15 nacionalidades.
A composição do memorial integra uma oliveira adulta implantada em caldeira circular e rodeada por “16 blocos pétreos em calcário” com “alturas diferenciadas e superfícies preparadas para gravação dos nomes das vítimas”.

