A assembleia de cidadãos contra a construção de um hotel de luxo no antigo Quartel da Graça, em Lisboa, volta este sábado, 9 de maio, a protestar em frente ao edifício público concessionado, utilizando o fado para dar eco às reivindicações.“Vamos este sábado propor um concerto de fados para juntar assim a população da Graça, e de outros bairros também, e sensibilizar as pessoas sobre o tema da construção do hotel no Quartel da Graça”, afirmou Chiara Moneta, da assembleia de cidadãos “Parar o Hotel no Quartel da Graça”, esperando “muita gente”.Em declarações à agência Lusa, Chiara Moneta defendeu que é preciso continuar a lutar contra a construção do hotel, apesar do início das obras em março, “com muito atraso” face aos prazos previstos no contrato de concessão do Quartel da Graça, em que se previa a abertura da unidade hoteleira no final de 2022.Reconhecendo que “não vai ser fácil” travar o projeto do grupo hoteleiro Sana, reforçou que a assembleia de cidadãos vai “tentar até o fim”.“A última coisa que queremos é que seja um hotel […] há muitos hotéis na cidade e o nosso bairro, em particular, já está estrangulado para o turismo”, disse.Chiara Moneta afirmou que o Quartel da Graça “é um espaço enorme” e que deve ser destinado à comunidade, inclusive com habitação e oficinas para atividades, defendendo uma experiência de democracia direta para “um modelo de cidade diferente, que seja mais habitável, mais viva e mais comunitária”.O protesto deste sábado irá decorrer das 15:00 às 18:00, no Largo da Graça, onde se prevê uma tarde de fados, nomeadamente com o apoio da Junta de Freguesia de São Vicente, segundo a assembleia “Parar o Hotel no Quartel da Graça”, que criou uma petição pública em maio de 2025 e conta já com mais de 4.500 assinaturas.O presidente da Junta de Freguesia de São Vicente, André Biveti (PS), disse à Lusa que está “100% de acordo” com as reivindicações do movimento de cidadãos contra o hotel no Quartel da Graça, referindo que há um apoio institucional e logístico à iniciativa de protesto, como licenciamento e equipamento de som.“Acredito que a adesão vai ser bastante grande e até, possivelmente, intergeracional”, perspetivou, destacando a ideia de ouvir fado.Para o socialista, é preciso “repensar” o uso do Quartel da Graça, até considerando “o incumprimento do contrato” de concessão, estando a junta a avaliar a situação, inclusive se o motivo é imputável ao grupo Sana, para avançar com "uma providência cautelar para que o hotel não avance".Tal como reivindica a assembleia de cidadãos, André Biveti quer que o Quartel da Graça tenha “outra finalidade, que não seja um hotel, mas sim um equipamento público”.Sobre o impacto do protesto, o presidente da Junta de Freguesia de São Vicente afirmou que a contestação “já está a ter eco” junto do Governo, indicando que enviou uma carta ao ministro das Finanças, que remeteu para a Estamo (empresa que gere os imóveis públicos) e que “tem estado a analisar, através de um parecer técnico”.“Já serviu para, pelo menos, o Governo avaliar se realmente o contrato tem alguma irregularidade e para tentar perceber também quais são as consequências dessa irregularidade”, declarou André Biveti.Classificado como monumento nacional desde 1910, o Quartel da Graça integra a lista de imóveis históricos a reabilitar no âmbito do programa Revive, apresentado em 2019 pelo então Governo do PS, que atribuiu a concessão ao grupo Sana, por um período de 50 anos, com uma renda anual de 1,79 milhões de euros, para a instalação de um hotel de cinco estrelas, com 120 quartos.O investimento estimado para a instalação do hotel foi de 30 milhões de euros, com abertura prevista para o final de 2022, prazo que não foi cumprido, até porque a obra de construção apenas arrancou este ano de 2026. .Câmara de Lisboa chumba moções do BE e Livre pela devolução do Quartel da Graça à esfera pública.Moradores da Graça querem uso comunitário de quartel em vez de construção de hotel de cinco estrelas