O Tribunal de Braga condenou a nove anos e oito meses de prisão um homem que agrediu a ex-companheira com pelo menos 19 facadas em fevereiro de 2023, naquela cidade..Por acórdão de sexta-feira, a que a Lusa teve acesso, o tribunal sublinha que o crime foi cometido quando a vítima estava acompanhada de um dos seus filhos, de apenas dois anos..O arguido, atualmente com 24 anos, foi condenado por homicídio qualificado na forma tentada e ainda por violência doméstica, neste caso por causa dos maus-tratos físicos e psicológicos que infligiu à vítima durante os cinco meses que viveu com ela.."O arguido atuou com extrema violência e brutalidade", refere a decisão..Segundo o tribunal, o arguido, numa primeira fase, agiu por incapacidade de aceitar que a vítima não quisesse ter filhos com ele e, numa segunda fase, por ela não ter aceitado o reatar do relacionamento..A tentativa de homicídio remonta a 13 de fevereiro de 2023, dia em que o arguido, "furioso" com a "rejeição" por parte da ex-companheira, terá ido a uma superfície comercial comprar uma faca de cozinha com 18 centímetros de comprimento e 7,5 de lâmina..De seguida, foi à casa da ex-companheira, esperou que esta saísse e "começou logo a desferir-lhe vários golpes", no abdómen, no tronco e nos braços..Com o filho de dois anos ao colo, a mulher ainda conseguiu fugir para a rua e pedir socorro, tendo sido auxiliada por populares..Transportada para o hospital em choque hemorrágico, foi submetida a várias cirurgias, ficando os primeiros dias em coma e cerca de uma semana nos cuidados intensivos, passando depois passou para o internamento. Teve alta no dia 13 de março de 2023.."Do evento, resultou um concreto e real perigo para a vida da vítima", refere o tribunal..O crime de violência doméstica reporta-se ao período em que o arguido e a vítima viveram juntos..O tribunal diz que o arguido começou a revelar-se ciumento, sucedendo-se discussões, havendo registo de empurrões e agressões com uma mangueira na empresa em que ambos trabalhavam, numa ocasião em que o arguido projetou ainda a cabeça da vítima contra um lavatório..A vítima decidiu sair de casa, mas os maus-tratos continuaram, com socos, ameaças de morte e insultos, neste caso através de mensagens..O arguido acedeu ainda ao e-mail da ex-companheira e trocou a password, passando a controlar todas as mensagens.."O arguido quis maltratar física e psiquicamente a ofendida, com quem manteve uma relação em tudo igual à relação de marido e mulher, muitas vezes na presença dos filhos menores da mesma, prevendo e querendo provocar na ofendida crises de ansiedade e sentimentos de instabilidade, tristeza, humilhação, vergonha, receio e as lesões e as dores que a mesma sofreu", lê-se no acórdão..Acrescenta que o arguido "encetou ainda uma perseguição prolongada no tempo, insistente e obsessiva, causadora de angústia e temor na ofendida"..Em julgamento, o arguido confessou uma "boa parte" dos factos, negando, no entanto, a intenção de matar..Além dos nove anos e oito meses de prisão, o tribunal aplicou ainda ao arguido, de naturalidade brasileira, a sanção acessória de expulsão de Portugal, pelo período de oito anos..O arguido terá ainda de pagar ao Hospital de Braga mais de 31 mil euros, pelas despesas decorrentes do tratamento da vítima.