Nova vai investir 1 milhão para apoiar alunos sem meios e criar Campus Sul com universidades de Évora e Algarve

A abrir o segundo mandato, o reitor da Universidade Nova de Lisboa revela aposta na formação para todos estudantes em áreas como escrever código e criar um negócio. Política agressiva para a inclusão é prioritária, com a escola a combater a "manobra publicitária da redução das propinas". Consórcio inédito que junta a Nova e as universidades de Évora e Algarve nasce em setembro

Entre ex-alunos que conheço e relatos que li nas redes sociais a propósito da sua reeleição como reitor só apanhei elogios - professor brilhante, acessível, simpático, daqueles que não se esquecem... Como é que um professor se sente ao saber que deixou uma marca que vai perdurar no tempo?

Acho que é das coisas numa vida universitária, que já é longa, que deixam maior marca positiva e sensação de missão cumprida. Nos cargos que tive - fui diretor durante dois mandatos, fui reitor já durante um mandato e fui agora eleito para o segundo, tive vários outros cargos administrativos -, a pessoa sente que está ao serviço da instituição, e como professor sente que está ao serviço dos alunos, com uma enorme responsabilidade, que é o conhecimento que eventualmente é suposto ter e transmitir. Traz mais sensação de recompensa do ponto de vista profissional e pessoal. Fico naturalmente muito contente.

Que projetos tem para o seu segundo mandato como reitor da Universidade Nova de Lisboa?

A primeira missão da universidade é o ensino, formar estudantes. E nós, relativamente aos estudantes, temos agora um compromisso importante e que tem que ver com o emprego. O objetivo é que os estudantes sejam capazes de ter um emprego decente quando acabam a sua formação. Ou sejam capazes de fazer uma atualização da sua formação quando já estão no emprego. Como é que esse compromisso vai ser realizado? Vamos procurar que todos os estudantes da Universidade Nova de Lisboa tenham competências específicas em três áreas que consideramos fundamentais: a sustentabilidade, o digital e o empreendedorismo. A sustentabilidade nas suas muitas caras, a sustentabilidade tem que ver, naturalmente, com o clima, mas também com saúde e com as desigualdades, para dar três grandes áreas. Não é pensável hoje que um estudante europeu, em particular português, saia de uma universidade sem ter um conhecimento sério do que são estes grandes desafios. Outra área é o digital. E do digital já não estamos a falar do utilizador, porque o estudante hoje é um nativo digital. Estamos a falar de duas coisas fundamentais: a capacidade de codificar e a capacidade de analisar e usar os big data. Esses são os dois aspetos fundamentais: saber escrever código, não como um engenheiro informático, mas hoje em dia sabemos que há muita parte do código que já vem quase pré empacotado e que é só uma adaptação para gerar um certo programa de inteligência artificial para consultar, por exemplo, big data, ou para fazer uma outra coisa qualquer. E isso é tão importante para o estudante de História ou de Linguística, como para o estudante de Engenharia Civil, como para o médico, porque há uma boa parte da profissão médica que pode ser substituída por questões de automação.

E a terceira área?

A terceira tem que ver com o empreendedorismo. É difícil imaginar o que são a maioria dos empregos do futuro, os perfis profissionais das profissões que atualmente conhecemos. E é muito importante que qualquer estudante tenha competências sérias - embora, digamos, mínimas, mas relevantes e necessárias - na área do empreendedorismo. Que saibam o que é um modelo de negócio, o que é uma análise de mercado, o que é capital de risco, quantas fases tem uma startup, para poderem de alguma maneira contribuir para a construção do seu emprego. E isso pode ser muitíssimo relevante para um estudante de Literatura que, por exemplo, quer abrir uma editora nuns moldes completamente diferentes, como é certamente relevante para um estudante de Engenharia ou até para um estudante da área médica. Nós achamos que nenhum estudante da universidade deve acabar a sua formação sem ter estas competências. Outro aspeto é o acompanhamento das pessoas que estão já no mercado de trabalho.

Que tem relevância na adaptação aos novos tempos...

Sim, porque nesta transformação, na qual o digital tem uma grande responsabilidade, os conhecimentos que os estudantes aprenderam há 20, 30 anos, sendo ainda profissionais relativamente jovens, já estão desatualizados ou precisam de ser complementados. E portanto nós vamos apostar também fortemente na formação ao longo da vida, no upskilling e no reskilling. Uma outra área importantíssima para nós é o talento. Temos obrigação de, à nossa dimensão - e é preciso que se perceba que todas as universidades portuguesas são relativamente pouco financiadas ou pobres, comparativamente com as universidades europeias -, atrair o melhor talento nacional e internacional. A universidade vai estar focada na atração de talento com perfil internacional, que é diferente de dizer que são estrangeiros. Nós temos atraído recentemente muitos portugueses que estavam a trabalhar no estrangeiro e quiseram vir para a Universidade Nova de Lisboa. E para atrair esse talento internacional é necessário que tenhamos um programa de rejuvenescimento do corpo docente, o que vai acontecer naturalmente, porque os mais velhos, entre os quais eu me conto, tendem naturalmente a reformar-se; e, ao mesmo tempo, precisamos de atrair com contratos compensadores os jovens que querem vir para a universidade. E aí, orgulho-me de dizer que a Universidade Nova tem os regulamentos de contratação por contrato individual de trabalho mais avançados do país e que permitem estabilidade no emprego, que também é um aspeto muito importante. Mas seria injusto estar focado só nisso, também estamos muito preocupados em promover aqueles que já deram à universidade 15, 20, 25, 30, 40 anos - é o meu caso - de trabalho. Eu sou um adepto fervoroso de distinguir entre contratar e promover. E também temos de ter atenção ao talento que está dentro da universidade e tem uma expectativa grande de promoção.
Outro aspeto que para mim é muito relevante tem que ver com as questões do conhecimento e da inovação para a sustentabilidade. Considero que, neste momento, se pensarmos por regiões, a sustentabilidade é um valor europeu. Será também de outras áreas, mas a Europa assumiu resolutamente com o Green Deal e o NextGenerationEU as questões da sustentabilidade. E isso cria a uma universidade europeia como é a Nova de Lisboa a responsabilidade de tornar endógenas na sua atividade as questões de sustentabilidade. A nossa ideia é apostar fortemente nesta área e criámos plataformas interdisciplinares onde podemos de alguma maneira parquear os nossos projetos. Desde logo, temos a plataforma NOVAsaúde e que envolve várias faculdades da universidade, depois temos uma plataforma nova chamada NOVA 4 the Globe, Nova para o Globo, que tem precisamente que ver com estas questões globais.

Sei que tem também planos de expansão da Universidade Nova em termos de infraestruturas.

Grande parte dos campus onde nós estamos situados, em Oeiras, Carcavelos, Lisboa e Almada/Costa da Caparica, onde temos várias instalações e infraestruturas, não foram criados para estarem abertos à sociedade e sem muros como nós queremos que estejam. O outro aspeto, que é também muito importante, é que nos queremos assumir como uma universidade da zona da Grande Lisboa e não só como da cidade de Lisboa. A nossa maior escola onde é que está? Está na Costa da Caparica, é a Faculdade de Ciência e Tecnologia. A ideia é cada vez mais enraizarmo-nos nos municípios onde estamos e criar com esses municípios um diálogo, com as várias comunidades. E para isso temos de mudar a nossa infraestrutura ou até modificar o nosso posicionamento. Aspetos relevantes disso: fazer uma intervenção profunda na Faculdade de Ciência e Tecnologia. Temos grupos de investigação e grupos académicos extraordinários lá, temos enorme financiamento internacional, temos até bons equipamentos, mas não temos uma infraestrutura adaptada. Portanto, esta é uma zona grande de investimento.
Outra é tornar este sítio onde nós estamos, o Campus de Campolide, num sítio aberto à ciência dos dados, às questões sociais, às humanidades e à inovação social. O campus já começa a estar bastante aberto à sociedade, que é uma coisa para mim muito interessante, mas falta trazer para aqui a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, que está na Avenida de Berna, e que tem aqui o seu lugar natural. A mesma coisa se passa com a Faculdade de Ciências Médicas. Queria só dizer que este projeto, a que nós chamamos Campi 21, é o nosso projeto financeiramente mais ambicioso. É um projeto que nos vai envolver em angariação de fundos, em várias iniciativas, e temos uma equipa e um elemento da equipa reitoral, um vice-reitor, dedicados essencialmente a este aspeto.

E há um grande projeto, o Campus Sul...

É uma questão para mim muito importante, o Campus Sul. É a primeira vez neste país que se vai fazer um consórcio - já está feito do ponto de vista jurídico, mas ainda não foi lançado do ponto de vista da atividade concreta - entre três universidades, a Universidade do Algarve, a Universidade de Évora e a Universidade Nova, que vai ter como objetivo fundamental a coesão territorial e a produção de conhecimento e inovação para o desenvolvimento sustentável do Sul. A nossa perspetiva não é uma perspetiva de nos desenvolvermos para sul, é de nos desenvolvermos para sul em consórcio com duas universidades públicas de referência que já estão no sul. E esse consórcio vai trazer três coisas diferentes. Vai trazer uma nova oferta letiva - estamos a pensar criar licenciaturas em que os estudantes estarão um ano no Algarve, um ano em Évora e um ano em Lisboa, nas nossas residências; e todos temos residências para esta situação. Novas licenciaturas e novos mestrados, vai ter aquilo a que se chama novas formações conferentes de grau. Mas também vai trazer novas atividades de capacitação da própria administração municipal, ou da administração regional, ou da administração pública a sul, e de diversas outras instituições que exercem atividade a sul. É uma forma de formação ao longo da vida e capacitação. E vai trazer centros de investigação aplicada sustentável - é a nossa capacidade de termos agendas colaborativas em áreas definidas pelo sul, como a água, a agricultura, o próprio mar... E ter agendas colaborativas com os principais parceiros na área económica e na área da coesão regional com as três universidades, em que cada uma vai buscar o melhor que tem do seu conhecimento para apoiar o desenvolvimento do sul. Isto é basicamente aquilo que nós estamos a preparar, é uma coisa que estamos há dois anos a analisar sob vários aspetos. Não seriam talvez necessários dois anos para fazer isto se não fosse a pandemia que se meteu no meio... Mas, e este ponto é muito importante, há já um trabalho efetivo de colaboração entre os nossos académicos. Há vários centros de investigação que têm polos nas outras universidades, temos projetos de investigação em comum, publicamos em revistas internacionais em comum, temos até já alguns cursos conferentes de grau em comum. Portanto, trata-se de desenvolver isso, mas agora numa perspetiva específica de contribuir para a coesão territorial a sul.

Estava a dizer que andam a falar disso há dois anos. Imagino que essas conversas tenham de envolver, se não envolveram já, o governo. A primeira pergunta é quando é que o Campus Sul será uma realidade? E acha que este governo tem dado a atenção devida ao ensino superior?

Setembro. E sim.

Pode desenvolver um pouco mais...

A nossa expectativa é que em setembro, oficialmente, o Campus Sul seja criado. E acho que, com todos os condicionalismos que tem havido, este governo tem tido uma política para o ensino superior que é interessante. A exceção, a única exceção de que me lembro - e que acho que não é propriamente uma iniciativa do governo mas mais uma iniciativa de base parlamentar -, tem que ver com as propinas. Veja, por exemplo: no PRR há uma parte muito relevante em que o conhecimento vai ser usado, em que mesmo a parte da reindustrialização e do relançamento da economia é feita com base em conhecimento. E o governo optou por que esse conhecimento seja criado no ensino superior, no politécnico e nas universidades, e a nível nacional. O governo podia ter decidido que ia buscar esse conhecimento a outras empresas ou a universidades europeias. A opção, como está no PRR, é que as universidades e os politécnicos nacionais sejam parceiros das empresas e isso é um ponto extraordinariamente importante, é uma decisão política e que tem de ser enfatizada.

E o que pensa sobre o assunto das propinas e sobre como tem evoluído esse tema?

Para mim um aspeto decisivo no próximo mandato é aquilo a que eu vou chamar uma política agressiva para a inclusão. E o "agressiva" aqui opõe-se a panaceias ou a manobras meramente publicitárias. Agressiva no sentido de ser incisiva e ter de entregar resultados.

A que chama uma política agressiva para a inclusão?

Se calhar, a primeira coisa que eu queria dizer sobre isto é que eu sou um opositor completo a uma abordagem demagógica e ideológica da questão propinas. As propinas têm vindo a ser reduzidas 200 euros por ano, quando elas não eram reduzidas eram mil euros, passaram para 800, e agora para 600. Para as pessoas da classe média ou da classe alta, isto não tem qualquer impacto. As pessoas que verdadeiramente precisam, as famílias que menos podem e que menos têm, não ganham nada com isto. O governo não retirou financiamento às universidades, compensa em Orçamento do Estado aquilo que as universidades estão a perder do lado das propinas. Esta compensação, neste momento, chega a cerca de 50 milhões de euros. Imagine se esse dinheiro fosse usado diretamente para política social universitária... Isso é só para mostrar o que eu considero ser um aspeto demagógico desta questão. E aqui a universidade vai ter de agir, não pode ficar parada perante esta situação. Porque o meu problema não é a questão das propinas ou da redução das propinas, o meu problema são as pessoas que não podem ficar para trás. A universidade não se conforma com a ideia - e aqui estou a falar exclusivamente das famílias portuguesas, de jovens que têm talento e vontade e que não estudam porque porque não têm meios financeiros para isso. E não nos parece que a redução das propinas resolva o problema, nem contribua para a solução do problema.

Como se resolveria, então?

Para nós, a abordagem do problema faz-se de outra maneira e é a isto que eu chamo de política agressiva para a inclusão. Isso envolve essencialmente o seguinte: reforçámos uma coisa que se chama Fundo de Ação Social. O Fundo de Ação Social, neste ano, já foi reforçado com 200 mil euros, mas nós queremos chegar rapidamente a um milhão de euros. O que é que o Fundo de Ação Social pode fazer? Impedir em primeiro lugar desistências, alguém que de repente tem os pais desempregados ou tem um dos pais desempregados. Este Fundo de Ação Social permite intervenção e o apoio desse estudante, garantindo que pode continuar. Mas vai permitir também outra coisa. As bolsas dos serviços de ação social, que são dadas pela Direção-Geral do Ensino Superior, apoiam os estudantes só até certo nível. Nós queremos passar a apoiar estudantes do nível acima porque constatamos que, por ano, os estudantes que se candidatam a bolsas e não as obtêm porque já ultrapassam às vezes por 10 ou 20 euros o nível são da ordem dos 200 ou 300. E nós queremos que esses estudantes possam estudar com a bolsa. Por isso é que eu estava a dizer que, se calhar, o dinheiro estaria melhor empregue para esses estudantes. E se tivermos um Fundo de Ação Social reforçado vamos poder apoiar aqui. Mas queremos ir mais longe. Queremos criar bolsas que compensem, por exemplo, ao nível dos mestrados... Queremos não, vamos criar antes do início próximo ano letivo bolsas que compensem os estudantes que, por exemplo, no que diz respeito aos mestrados não possam pagar propinas que sejam altas.

De que forma?

A bolsa vai ser equivalente à propina e pode ter um apoio suplementar para que os estudantes possam fazer a sua atividade normal. Um outro aspeto muito importante é lidar com o que eu chamo de inibição da procura. Há muito estudante que nem concorre porque pensa assim... imaginemos que o estudante não vive na zona de Lisboa: "Quanto é que me custa o alojamento, quanto é que me custa a alimentação" e depois se calhar ainda pensa quanto é que lhe custa a propina. E esse estudante tem a obrigação de perceber que na universidade, por exemplo, pode ter alojamento gratuito. Vamos fazer um grande investimento em residências e, com as que já temos, basta simplesmente reservar um conjunto de camas suficiente para garantir que esses estudantes ficam. Portanto, esse estudante pode ter simultaneamente uma bolsa dos Serviços de Ação Social, um apoio nosso para as propinas e a estada numa residência gratuita. São estes os aspetos que vamos pôr em prática já a partir de setembro para garantir que, se a crise vier da maneira que todos nós desejamos que não venha, ou venha como vier, os estudantes que tenham vontade e talento para estudar não fiquem de fora da universidade.

Como é que o ensino superior poderá beneficiar com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e como é que o ensino superior poderá ajudar o PRR a ser aplicado em Portugal?

A expectativa é que haja agendas colaborativas de inovação que promovam a atividade económica e a atividade económica sustentável, em que a componente do conhecimento venha do ensino superior e do ensino superior português. As universidades estrangeiras poderão vir, se vierem pela nossa mão. Isso é uma decisão política que eu acho que não foi suficientemente enfatizada e é muito relevante. Em que é que as universidades podem beneficiar? Aí, as universidades têm programas próprios chamados Impulso Jovem e Impulso Adulto, que está dentro da componente seis do PRR, e que permite relançar aspetos importantes da atividade de ensino. Enquanto na primeira parte é mais inovação e investigação, aqui é mais ensino e residências. E se me permite, acho que são iniciativas muito meritórias, mas a universidade, ou todas as instituições de ensino superior portuguesas, têm uma enorme necessidade de investimento em equipamentos e infraestrutura. E há alguma possibilidade de fazer isso, mas ainda fica um pouco aquém do que certamente as universidades gostariam. As universidades têm um financiamento limitado. É o país que temos - não é o governo que temos, é o país que temos. Mesmo assim, este governo fez um contrato de legislatura com as universidades que, na minha ótica, está a cumprir, mas um dos aspetos em que se reflete este subfinanciamento tem que ver com a nossa incapacidade de ter dinheiro para investir. O PRR veio ajudar um bocadinho, mas só um bocadinho.

A Nova já tem parcerias com empresas, nomeadamente na SBE, que foram alvo de críticas. Esse tipo de parcerias é para continuar nos novos projetos? É uma forma de colmatar a falta de verbas e de aproximar a vida académica da vida ativa?

A ideia de parcerias com a sociedade civil e com as empresas veio para ficar, a universidade orgulha-se disso e faz disso uma bandeira sua. Uma parte importante da nossa missão é desenvolver agendas colaborativas de inovação baseada em conhecimento e, se é com a sociedade civil, essa agenda tem de ser feita pela sociedade civil. Os estrangulamentos ao desenvolvimento estão do lado da sociedade civil; o nosso conhecimento poderá ou não contribuir para desbloquear esses estrangulamentos e propiciar o desenvolvimento - isso é o que nós queremos continuar a fazer. Naturalmente que o subfinanciamento envolve, a partir do momento em que temos parcerias já estabelecidas, que tenhamos muitas vezes financiamento sob a forma de donativos dos nossos parceiros. Mas isso é distinguir das agendas colaborativas de trabalho.

E como responde às críticas?

Que foram críticas absolutamente mal colocadas, mas, por via das dúvidas, na altura nomeei uma comissão independente e o relatório da comissão deixa claríssimo que a universidade não tinha nenhuma razão para ser atingida por aquelas críticas. E deixou também claríssimo duas coisas muito importantes. Primeiro, nós temos de ter uma política para receber donativos. E está publicado neste momento em Diário da República um regulamento para receber donativos de qualquer entidade privada ou de natureza social. Segundo, temos de ter uma política de conflito de interesses. Neste momento, estamos a preparar o regulamento sobre a questão do conflito de interesses, que sairá brevemente, espero que até outubro. E esse relatório deixa claro que as críticas como elas foram apresentadas foram críticas completamente infundadas. E, por outro lado, que quem tem esta pretensão de aprofundar a relação com a sociedade civil e com as empresas deve acautelar bem estes dois aspetos: a aceitação de donativos e os conflitos de interesse. Nós compreendemos bem a mensagem.

Qual foi o impacto da pandemia no ensino superior? O que é que se perdeu e ganhou?

Perdeu-se muitíssimo, pelo menos na minha ótica, que é o momento presencial. A universidade é feita de professores, profissionais, estudantes, representantes de empresas, de outras instituições, que convivem num campus aberto e que partilham agendas e, de alguma maneira, desenvolvem atividades ligadas com o ensino, com a investigação e com a inovação. Quando não pode fazer isso presencialmente perde um momento por excelência do ato académico. O que se ganhou, se quisermos pensar assim, foram duas coisas. Ganhámos uma aceleração da transição digital e um outro aspeto muito importante, pelo menos no caso da Universidade Nova, que foi o compromisso das nossas escolas que têm ligação à saúde. A Faculdade de Medicina, a Escola Nacional de Saúde Pública, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical, e mesmo escolas como a Faculdade de Ciências e Tecnologia, onde tem Engenharia Biomédica, ou o ITQB, onde tem Química Molecular e Biologia Molecular associada a questões de saúde, juntaram esforços com a sociedade ou entre si para contribuir para a luta contra a pandemia. Sob a forma de testes, de produtos... e isso criou um espírito de solidariedade das escolas na área da saúde - que eu quero pensar que deram um contributo muito relevante para o país das mais diversas maneiras.

ana.meireles@vdigital.pt

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